
Sou um pouco da estrada
Que se alonga sem se perder
Que cede caminho se assim o entender
De consciência calada
Leve e sossegada,
Sem pressa de chegar
Ao fim do lugar
Onde um traço continuo
Conduz o tempo de vida
E o caminho se desfaz em nada…

Enquanto as horas vagueiam no meu corpo
Já o tempo rasgou os dias
E percorreu o sentido da minha pele
Sobrevivendo a esta fugaz passagem
Até entrar na memória do coração,
Soltando-se uma explosão de silêncio
E ouvindo-se o tempo despir
Uma palavra que ficou por dizer
Um sorriso apagado
A promessa prometida e não cumprida
O som de uma noite mal dormida
A vida esquecida de ser vivida,
E enquanto as horas passam
Olhamos para a vida já envelhecida…

Nesta viagem do tempo
Fugaz e a alta velocidade
O corpo embarca a todo o vapor
Sem colher dos dias o sabor
De paragem em paragem
Sem deixar a pele respirar
Tamanho é o ritmo do caminho
Que cada olhar segue mudo e sozinho
Levando na bagagem
A saudade de encurtar a distância
E deixar para trás os passos apressados
Os sorrisos fechados,
E de devolver aos dias a importância
De viver estação a estação
Com um bilhete de felicidade…

Estendo as minhas mãos
Pudesse eu desfolhar o mundo
Cruzar o tempo neste caminho profundo
Olhar o mar no horizonte sem fundo.
Embalo os meus sonhos
Sem me deixar cair no adormecer
A vida ensina-me a ganhar e a perder
Soubesse eu sempre acatar este entender.
Entrego palavras à poesia
Como se fossem flores a brotar num jardim
O encanto pelos poetas é terra que não tem fim
Soubesse eu colher o poema certo para mim.

Embebida na luz que me rodeia
Aconchego-me no amor
No presente com que a vida me presenteia
Na imensidão de emoções que põe ao meu dispor.
Pousa no meu colo um novo ano
Deixo algumas memórias para trás
Traço novas marés no oceano
Comigo segue a melodia do mar e da paz.
Abro o coração e deixo as palavras entrar
Abrigo-me no silêncio saboreando poesia
Dou ao olhar liberdade para voar
Recebo Janeiro semeando um sorriso em cada dia.

Chegou dezembro
Coberto de frio
Adivinhando o inverno
No alto do seu ar pomposo
Não se sentindo menos majestoso
Por ser o último a chegar.
Traz o aconchego do lar
Abraça histórias do ano prestes a findar
Sem tristeza de ver as folhas caindo
Abre espaço para ver a família reunindo
São dias vestidos de luz e união
Dezembro completa-se com muito amor no coração.

Saboreio o brilho do teu olhar
A rodopiar no meu sorriso
A magia que se estende no meu rosto
Coberto de ingenuidade
Ao entregar-se de improviso
Enquanto o meu corpo vagueia
Entre o retrato de menina a mulher
E tropeça na suavidade das palavras
Ditas pelo cruzar do nosso andar.
Gosto de te ver quando me vês
E de sentir a nudez do teu olhar
A penetrar na minha timidez…