As horas da noite

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Senti que me perdi
Na fragrância da noite
Que se mostrava fria
Opaca e vazia
Entre janelas desabitadas
E ruas desordenadas,
Dormitavam as palavras
Nuas e cruas
Como se estivessem apagadas,
Conto as horas da noite
Para depressa o dia chegar
E as palavras acordar
Gosto tanto de as ouvir falar…

Rotina dos dias…

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Todos os dias olho para o céu
Todos os dias me parece igual
Ainda assim,
Sinto que por vezes me entristece,
Repleto de nuvens quando amanhece
Há dias em que mostra um sorriso
Colorido no rosto,
Satisfeito e bem-disposto.
O meu olhar estende-se no seu olhar
O que me leva a reparar
Que estando sempre no mesmo lugar
Vive os dias sem os igualar.
Todos os dias olho para o teu olhar
Tendo o céu por perto a acompanhar
Ainda assim,
Todos os dias gosto de te amar.

 

… Sinfonia …

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A pele entrega-se ao vibrar
Os poros deixam-se arrepiar
E as palavras escorregam
Pelo compasso de tempo
Que faz as notas tocar.

Do coração saem histórias
Letras que desafiam memórias
E o corpo agarra-se à melodia
Que entranha na alma
E faz deste sentir uma sinfonia.

Tal é a vida
Um concerto de sentimentos!

Guardo-te em mim

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Albergo no meu olhar a promessa, a vontade de manter no espaço da minha existência, uma porta sempre aberta para que o nosso sorriso continue a encontrar-se e o meu coração ficará entreaberto para guardar o aroma da tua voz e acolher os beijos que os nossos lábios abraçam quando se sentem sós.
Na imensidão deste labirinto, onde o pensamento por vezes se afunda, imerge o retrato da profundidade de um corpo que navega certo de querer ancorar no lugar onde o horizonte se cruza com o mar e onde os nossos mundos se possam entrelaçar.
Cabe agora em mim, não só o amor que me faz amar, mas também a liberdade para gastar as palavras com este sentir…é para ti que escrevo.
Albergo no meu olhar a promessa de ser porto de abrigo…
Guardo-te em mim.

Não sei…

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Empresta-me um pouco do teu rumo
Não sei que direção tomou o meu
Não sei se me esqueci
Ou se me desorientei
Não sei se para trás fiquei
Ou se me adiantei
Não sei…

Só me recordo
Que do tanto que corri
E do muito que caminhei
Entre os dias que comigo levei
E por todos aqueles que passei
Temo que a vida não apanhei
Empresta-me um pouco do teu rumo…

Sonhar, Amar e Voar…

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Gosto de sentir o sono chegar
Abro a janela
Para os sonhos poderem entrar
Caminho pela noite dentro
Em histórias que me vêm buscar
Andamos de lugar em lugar
Cúmplices da escuridão,
Desembrulhamos o coração
E as palavras seguem o luar
Despidas e soltas
Como se fossem estrelas
A brilhar de tanto amar…

Estremeço com o amanhecer
Mas o olhar ainda sonha
Fecho a janela
Para o dia não levar os sonhos
Que guardo para te contar
Sinto que a vida passa a voar
Como se fossem estrelas a brilhar…

 

Enquanto somos vida…

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Enquanto aguardo ver-te chegar
Soletro o tempo para que passe devagar
Vejo o dia a caminhar para o mar
Como se lá se fosse aconchegar.

Enquanto aguardo ver-te chegar
Vou tecendo abraços para te dar
Guardo uma réstia de sol no olhar
Para que sintas o dia sem ele findar.

Parece que tudo avança em segredo
As flores escondem-se e deixam de florir
O vento acelera o passo e decide partir
As portas fecham o dia para este dormir.

Soa no meu rosto a dor de não te encontrar
Sei que a saudade não te faz voltar
Quase levaste o meu coração para esse lugar
Mas a vida ainda me chama para continuar.

Um dia vou ver-te chegar…

 

O tempo a tempo …

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Escuto o tempo
Que habita dentro de mim
Sereno e certo de me conhecer
Faz-me sonhar e acordar
De janela aberta ao mundo
Diz-me que algumas vezes
Deixei de voar
Com medo de me desencontrar,
Ou de não encontrar o tempo a tempo
De continuar.

Há um tempo que me bate no rosto
E me vai enrugando a pele
Talvez não goste de me ver
Sempre com o mesmo parecer,
Faz-me acreditar que a essência
É o tecido que veste a aparência
O melhor espelho que posso ter
É olhar o tempo sem medo de o perder
O que habita dentro de mim
É a vontade de viver.

…Madrugada…

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Sinto a madrugada
Cair deslumbrada
No meu olhar quieto
Ainda suspenso,
Vestido pela noite
E pelo sono que sobrava
Do longo caminho
Pelo corpo alimentado
Desde que adormeceu
Até ter sido acordado.

Sinto a madrugada
Vivaça e de cara lavada
Amanhecer no meu leito
Ainda desfeito,
Desarrumado pelos sonhos
Que repousam na pele
Sem pressa de ver o dia
E de despir os desejos
Que a noite enamorou
E o meu silêncio guardou.