Borboletas

Fecho os olhos no teu olhar

Estendo as minhas mãos aos teus gestos

Sinto a luz do dia penetrar

Entre os corpos que se querem juntar

Como se fossem borboletas a bailar.

Neste voo,

Ouve-se um silêncio a sussurrar

O amor que paira no ar

Entre a vontade de pousar

E de asas agasalhar…

…Era um poema…

Chegou como se viesse do Norte

Dentro da minha imaginação

Vinha bem apresentado e de caracter forte,

Nada fazia prever

Que as palavras que o faziam mover

Eram aquelas que eu gostava de ler.

Senti um trago a paixão

Um silêncio que mostrava o bater do coração.

Segui-lhe os passos

Com os meus sentidos um pouco perdidos

Pousados sob as rimas e os versos que entoava,

Vi o amanhecer dar lugar ao entardecer

Era um viajante com tempo no rosto

Sem pressa de recolher

Era um poema

Como eu gostava de ser!

Feliz Ano Novo

Como se fosse o vento

Como se tivesse asas

Fecho os olhos

Corro,

Voo,

Avanço o tempo

Estendo os braços

Agarro este momento

Para te entregar abraços

Que comigo guardei,

Sabendo que hoje era o dia certo

Abri os olhos e te abracei.


Peço ao vento que transporte a mensagem

Que a faça soar na sua viagem

Feliz Ano Novo

Um Feliz Natal!

Vivemos em tempos avançados

Somos pela tecnologia conectados

Mas este ano estamos confinados.


Somos revestidos de sonhos e criatividade

Damos largos passos com autenticidade

Mas este ano roubaram-nos a liberdade.


Temos amor para dar e receber

Um coração enorme para entender

Que neste Natal continuamos a viver.


Que as palavras esvoacem

E o mundo inteiro abracem

A todos um Feliz Natal!

Navegando

O olhar estendeu-se até ao mar

A memória embarcou no seu ondular

Nos tempos onde os sonhos

Ficavam para além do horizonte

Distantes da vista alcançar.

Hoje o olhar um pouco cansado

Encontra a felicidade deste lado

Onde as marés se juntam

E a brisa vai trazendo desejos

Neste mar aberto

Que será sempre navegado por sonhos

E banhado por beijos…

Chegou dezembro

Chegou dezembro

Frio e molhado

Procura um regaço

Um lugar aconchegado

Onde aquecer o tempo

Para sentir de novo a pele

No corpo pelo vento moldado.


Chegou dezembro

Mas a casa está vazia

Fechada e sem companhia

Não há quem a venha habitar

Faltam abraços para reconfortar

O ano está cansado e triste

A pandemia não o deixa sossegar.

Queria que soubesses…

Queria que soubesses

Que o pouso das minhas palavras

É um aconchego de sentimentos

Um esvoaçar de momentos

Um costurar de tempo

Voos de imaginação

Caminhos de liberdade

Um espreguiçar de vontade

Um alimentar de sonhos

Reencontro de lembranças

É esse quebrar de céu

Que me deixa voar

Sem ter asas…

            Queria que soubesses

Identidade

Conheço-me

De perto

Tal como sou

Entrego-me

De coração aberto

Sei o que dou,

Habito

Dentro e fora de mim

Traço novos caminhos

Mas sei de onde vim,

Colho na madrugada

Essência que se dissolve assim

Entre o silêncio do corpo

E a inocência das palavras

Cúmplices até ao fim.

…Com um sorriso…

Porque sinto a tua falta

A dor não deixa de doer

O meu olhar entristece por não te ver

E o coração empobrece por não te ter.


Porque é difícil aceitar a perda

A alma sufoca revoltada

O corpo entrega-se a uma fraqueza descontrolada

Vive-se em silêncio numa vida pesada.


Habitarás sempre dentro de mim

A tua memória irá permanecer

O teu sorriso faz o meu não desaparecer

Hoje e sempre és o irmão que não irei esquecer.


…Com um sorriso…