Gotas de orvalho

Suave o olhar que penetra na manhã
e sente a luz do sol a acordar o pensamento.
Caem as últimas gotas de orvalho
sob o ainda adormecido aroma das flores
e assim começa a frescura
que se espalha com o vento
pousando no amanhecer
e perfumando a rotina do dia
dando rasgo à emoção
deste meu viver!

Sentir Janeiro

Embebida na luz que me rodeia
aconchego-me no amor
no presente com que a vida me presenteia
na imensidão de emoções que põe ao meu dispor.

Pousa no meu colo um novo ano
deixo algumas memórias para trás
traço novas marés no oceano
comigo segue a melodia do mar e da paz.

Abro o coração e deixo as palavras entrar
abrigo-me no silêncio saboreando poesia
dou ao olhar liberdade para voar
recebo janeiro semeando um sorriso em cada dia.

No presente dos presentes

E assim desfilaram os meses
neste ano a terminar,
abraçamos o Natal
e damos ao coração motivos para festejar.



Tocam os sinos
erguem-se as palavras
une-se o tempo,
a poesia acontece
entre gestos e reflexão,
no presente dos presentes
na saudade pelos ausentes.

Vivemos o amor
na união pela união,
desembrulhamos o que há de melhor,
saboreamos o ser de cada ser
nesta época especial,
celebramos o Natal.

De lugar em lugar

Quando as palavras não saem
são as lágrimas que caem
só o silêncio me consegue ouvir
e só o coração me pede para não desistir.

Há dias em que o tempo não está para sorrir.
Perco o alcance do que tinha alcançado,
procuro-me para me voltar a encontrar.

…E nesta viagem,
poemas melhores hão de vir.
Acredito que as palavras nem sempre me traem
e o tempo é uma constante.
Liberto-me de lugar em lugar.

O último a chegar

Chegou dezembro
coberto de frio
adivinhando o inverno
no alto do seu ar pomposo
não se sentindo menos majestoso
por ser o último a chegar.

Traz o aconchego do lar
abraça histórias do ano prestes a findar
sem tristeza de ver as folhas caindo
abre espaço para ver a família reunindo.

São dias vestidos de luz e união
dezembro completa-se com muito amor no coração.

…Rodopiando…

Saboreio o brilho do teu olhar
a rodopiar no meu sorriso
a magia que se estende no meu rosto
coberto de ingenuidade
ao entregar-se de improviso.

Enquanto isso, o meu corpo vagueia
entre o retrato de menina e mulher
e tropeça na suavidade das palavras
ditas pelo cruzar do nosso andar.

Gosto de te ver quando me vês
e de sentir a nudez do teu olhar
a penetrar na minha timidez…

…Era uma Vez…

A vida veste-se de palavras
doces ou por vezes amargas.
Frases feitas
que nos vendem por estarem certas
e o corpo absorve letra a letra,
este livro aberto
que ao cair na pele
se vai despindo
e as sílabas são desfeitas
em capítulos que guardamos no coração.

Levados pela razão ou emoção
avançamos página a página
com o prazer de viver
as palavras que se despem
e se entregam à vida…

Sempre guardado em mim

Porque a morte abre uma ausência
um vazio difícil de sustentar
cicatrizes que ficam
amarradas ao corpo
sem remédio para curar
só o tempo para remediar
a ferida que parece nunca mais sarar.

O teu espaço será sempre guardado em mim.
Ficarei com o teu sorriso ancorado no meu coração
e tu seguirás no meu caminho até ao meu fim.

Para ti,
querido irmão.

Melancolia

Nestes dias curtos
que vestem o outono
todos os espaços parecem vazios,
ausentes.

O olhar espelha silêncio,
melancolia.

Eu só quero encontrar um lugar,
quem sabe um rosto
ou um poema,
onde esvaziar a saudade
e sentir de novo a luz
das nossas mãos se voltarem a tocar.