
Tal como eu,
As minhas asas estão órfãs
Desamparadas
Feridas,
Não conseguem voar
Não têm onde pousar.
Têm saudades do ninho
Das mãos para as costurar…

Piso o chão
Enterro o corpo
No encontro com a terra
Entre o brotar de tempo
De memórias recortadas
De promessas inacabadas.
Repouso
No chão que piso
Que tantas vezes me segura
Que tantas vezes espera por mim
Que tantas vezes me encontra
No desencontro com a vida.
Acolhes-me no teu regaço
Semente enraizada
Que te ofereces, em troca de nada…

Escrevo-me,
Como se escrever fosse buscar um pedaço de mim, como se as cartas continuassem a ser encontro, luz que reflete presença no tempo deste tempo.
E o encontro dá-se na fragrância do dia que amanhece, enquanto as palavras saem pela porta entreaberta e se misturam nos aromas que encontram pelo jardim… recolhem com a delicadeza de saber apreciar as pequenas coisas, tateando a vida que ferve em cada detalhe.
Aconchego-me nesta simplicidade…O olhar brilha e o silêncio dá-me o conforto de estar a ser ouvida.
Cheira a poesia! As minhas mãos acomodam os versos e o coração mostra o amor que partilho com quem quero bem, com quem me faz sentir bem! O amor é presente de dar e receber.
Então, escrevo-me! O dia hoje nasceu dentro de mim, faz esvoaçar lembranças e guardar afetos.
Celebro o tempo, não o que passa, mas o que permanece, e que vem dançando comigo!
O meu presente, o dia do meu quinquagésimo aniversário!
Que bom é poder celebrar a vida ❤