Mulher bonita

nenufarMulher bonita, porque choras?
Trazes no rosto o luto
Das roupas escuras que vestes,
A tua expressão acusa cansaço
Pelas batalhas difíceis que tivestes.
És guerreira, conquistaste o teu espaço
Atenta e dedicada, sempre mantivestes
Os filhos no aconchego do teu regaço.
Desconheces o que é a infância
Fizeram de ti mulher em vez de criança.
Cresceste depressa e a longa distância
Os valores humanos são a tua melhor herança.
As tuas mãos, hoje envelhecidas
Foram, em tempos, o amparo das nossas feridas.
As rugas que figuram no teu rosto
São a marca da tua essência
E apesar de alguns momentos de desgosto
Nunca sentimos a tua ausência.
A tua raça é forte
És uma pessoa respeitada e admirada,
Quantas vezes o único suporte
De todos por quem és amada.
Mãe!

Lisboa

elevador gloria

Passeio entre as ruas estreitas da cidade
E os becos onde ecoa a conversa das vizinhas
Que debruçadas nas varandas coloridas das casinhas
Traduzem em gestos de lamúria e cumplicidade
O apego às origens, despidas de qualquer vaidade.
Desço a calçada rodeada de vielas
Enquanto sobe a encosta o elevador da Glória
Tem o miradouro como paragem obrigatória
Onde os artistas mostram as suas aguarelas
E os namorados dão as suas escapadelas!
O Tejo reflete o encanto da cidade
A vista perde-se em tamanha graciosidade
O pensamento rende-se à inspiração
Da paixão vivida pelos amantes
Que diante desta paisagem prenderam o seu coração.

Solidão

campoDa janela do meu quarto
Vejo os campos em flor
As árvores a crescer
O entristecer do entardecer
Quando o sol teima em desaparecer.
Da janela do meu quarto
Sinto uma réstia de luz a entrar
Num corpo sonâmbulo a vaguear
Entre o crepúsculo e o falso acordar.
Tudo se perde na escuridão da noite
Da janela do meu quarto
Já não vejo as árvores e os campos em flor
Apenas um vazio que ecoa a dor
Num silêncio e escuro perturbador.
Fecho os olhos e alimento a ilusão
De não sentir a presença da solidão
A sombra que a tua ausência deixa mim
Impaciente para que esta noite chegue ao fim.

Outono

outono

Caem as folhas
Rodopia o vento
Na magia do movimento
Um tapete de cores
Cai por terra parecendo flores.
Caem as folhas
O céu escurece
O brilho do dia esmorece
As árvores ficam despidas
As esplanadas menos apetecidas.
O verão abandona o seu trono
Eis a chegada do outono!
Traz a chuva e o frio
O tiritar que nos provoca arrepio.
O Cenário é perfeito para partilhar
O conforto quentinho do lar
Ouvir o estalido da lenha a queimar
Enquanto se sente o calor dos corpos a arfar.
Sabe bem um bom vinho degustar
E a tua companhia apreciar.
Caem as folhas…

Porto Seguro

porto seguro

Procuro
O caminho
O ponto alto que me faz sentir segura
O aqui e agora
Onde encontre paz e não amargura.

Procuro
O abrigo
O conforto do aconchego
O sopro que prende a respiração
A leveza do desassossego.

Procuro
O valor do sentimento
O que distingue a raça humana
Não aparece nos jornais, nem nas redes sociais,
Oh gente, que entre uns e outros se engana
Colocais pedaços de vida à deriva
Que jamais chegarão ao cais.

Procuro
No balanço das marés
Afogar a dor,
Viver em equilíbrio
Proporcionar momentos de amor.

Procuro
Encontrar um porto
Onde possa ancorar
Ver os barcos partir e chegar
E no teu coração naufragar.

O que importa…

baloiçoO que importa ter o chão
Se não tens como o pisar
O que importa ter o céu
Se não há estrelas a brilhar
O que importa ter o mar
Se não o sabes admirar
O que importa sentir amor
Se não tens com quem o partilhar
O que importa ter
Se não sabes dar
O que importa voar
Se não sabes sonhar
O que importa viver
Se não sabes ser
O que importa é saber
Viver.

O tempo que voa

balaoO tempo que voa, em roda e que gira
À volta da cor que o tempo muda,
Avança e recua no balão colorido
Que sobe bem alto e que o vento vira,
Rasgando o céu pelo tempo perdido.
O tempo que corre, lento e devagar
Depressa define a rota a alcançar,
Lado a lado sentes o tempo passar
E no limite do tempo decides mudar.
O tempo que te move é audaz
Sente a magia da brisa que o vento traz,
Saboreia o hoje e amanhã serás capaz
De ter mais tempo e viver em paz.

Viajo

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No tempo, na simplicidade do meu ser,
Sinto o caminho livre, vejo o sol, o céu e as nuvens…
Ao longe avisto o horizonte
Quero ir, quero ficar
Corro, quero sentir…
Amor
Vejo o luar, sinto a brisa, na escuridão sonho contigo,
Feliz, conto as estrelas
Convido-te a viajar comigo…
No tempo, no acariciar do meu corpo,
Num abraço apertado
Num beijo profundo.
Gosto,
De te ver, de te sentir, de contigo ir,
De contigo ficar…
AMO-TE!

Cai a noite

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Cai a noite
Brilha a lua na escuridão
No silêncio dos sentidos
No refúgio da solidão
Não só, mas sozinha
Relembro os momentos vividos
No diário da nossa união.
Há momentos a esquecer, dias difíceis de reviver
A autenticidade está na capacidade de escolher,
Pois entre o perder e o vencer
Está a felicidade de querer viver.
Quero ver o novo dia nascer
Deixar penetrar a luz do amanhecer
Sentir a penumbra desaparecer.
Convidar o sol a entrar
Mergulhar no conforto que é acordar
E a teu lado poder estar.
É dia, vamos festejar
A emoção e a vontade de partilhar
O quanto é bom amar!