É dia de festejar!

Olá, julho,

O dia ainda amanhece…

Não sei se sentes o meu sentir, não sei se vês no meu olhar a vontade de te receber e não te deixar ir embora sem antes contigo festejar. Esvoaçamos juntos para completar mais um voo e somar à idade que tenho a idade que trazes para me oferecer. Que bonito presente!

A vida é um regaço de emoções…. É colo que acolhe e é asa que faz esvoaçar.

Sinto-me grata pela tua visita, pela nossa cumplicidade e por este presente … o meu quadragésimo nono aniversário.

Obrigada, julho!

Ceifar a saudade

Os dias vão passando,

O corpo passeando,

Mas o amor reclama a distância.

Os passos que trazem o teu olhar

Até ao meu, cansado de esperar

Pelos beijos que em mim semeias

E pelos gestos que me dilatam as veias,

Sempre que ceifamos a saudade

Entre os dias que vão passando

E o amor que vamos debulhando…

Um poema para o dia

Decidi escrever para pincelar o dia

Está um pouco tímido, sem alegria.

As palavras já aguardam o seu lugar,

Não querem perder este adjetivar.



Vestem-se de cor, confiantes ao seu jeito

Trazem versos e rimas, trajam a preceito.

O dia continua agasalhado de solidão,

As palavras querem ser poema no seu coração.


Um poema nasceu e o dia agradeceu

A luz que este lhe deu…

É outra vez verão!

É outra vez verão!

Esses dias que caminham longos

Abastecem o corpo de luz,

Abrem a porta do coração

De onde saem as palavras

Sedentas de se desnudarem

Nas marés,

Nessa força de ir mais além,

No encontro de vida

Onde o amor se deixa ir também…




É outra vez verão!

Esses dias que caminham longos,

Leves, carregados de emoção!

Sempre que me ouço falar

Sempre que me ouvires falar

As minhas mãos estarão abertas

Estendidas às palavras,

Porque nem sempre sei dizer

O que está dentro de mim

E muitas vezes sinto o olhar a calar

O fervilhar das emoções

A nudez que me veste a pele

Letra a letra,

A embriaguez dos sentidos

Que se acentuam nas sílabas

E prendem o meu desabrochar

Sempre que me ouço falar…

Rasgar o caminho

Neste lugar habitado

Num tempo constante

Jamais adiado,

Ouço a voz da terra

Firme,

Como quem comanda a vida

E rasga o caminho

Passada a passada,

Murmurando silêncios

Num rumo apressado

Sem nunca deixar o corpo tombar

Pelas horas de cansaço

Neste tempo inconstante

Por vezes desabitado

Que parece estar sempre atrasado.



Ouço a voz da terra

Presente na raiz da vida…

… Entre fios …

Não sei se são viagens

Estes percursos que faço

Ou se são paragens

Momentos que desfaço

Ao tricotar pensamentos,

Criando, por vezes, um emaranhado de fios

Que se fixam na memória

Numa teia que bloqueia

Não só a passagem da luz

Como afastam o silêncio

Esse ponto que nos conduz

Vivos pela vida.




Não sei se são viagens que faço

Por todos os momentos que passo,

Mas neste costurar de pensamentos

Há sempre fios que se soltam

Talvez sejam atalhos

A unir a razão e a emoção

Ou simplesmente pontos de abrigo

Para albergar o coração.