
Vejo as árvores recolhidas
metaforicamente despidas
a erguerem o silêncio,
não sei se estarão perdidas
ou simplesmente a descansar
o cansaço da altivez
que o nosso olhar
se habituou a ver…
…Talvez…

Silhueta de domingo
embalada pelo mar,
o meu olhar naufraga
nos teus passos asseados
quando te vejo passar…
Não há sombra no teu caminho,
trazes luz
que se estende ao horizonte
até o sol parece brilhar mais.
Só eu, neste silêncio ondulado
onde permaneço afundado,
querendo um dia ser cais
de todos os teus domingos…

Amanheceu o outono
a manhã ainda se espreguiça
e as nuvens parecem ter adormecido.
O dia caminha a passo lento
talvez até um pouco abatido,
mas contrariando a direção,
o outono chega firme e decidido.
No olhar dos nossos olhos
há pressa na paisagem,
parece haver um breve abandono,
as folhas vão caindo,
deixando as árvores despidas,
as conversas viram de página
ganhando um novo sentido.
A estação entra num novo horizonte,
a vida segue vida,
ao encontro da outra margem…

Da minha janela vi um vento que desconhecia
não sei se chegava ou partia,
voava alto,
arranhava o céu
rodopiava certo dos movimentos que fazia,
mostrava leveza e sabedoria,
arrastava uma aragem bem arrumada.
A minha janela ganhou outra dimensão,
a casa ficou mais iluminada,
senti que o meu olhar já não me pertencia
e o corpo caminhava em outra direção,
despindo a preocupação,
empurrando o pensamento
para viajar nas asas deste vento.