
Sou um pouco da estrada
Que se alonga sem se perder
Que cede caminho se assim o entender
De consciência calada
Leve e sossegada,
Sem pressa de chegar
Ao fim do lugar
Onde um traço continuo
Conduz o tempo de vida
E o caminho se desfaz em nada…
Querido Julho,
Sei que estás prestes a terminar, mas antes que nos mostres o teu fim, abraço-te com um sorriso e confidencio-te que serás sempre parte de mim. Temos feito o caminho juntos, ano após ano, colhendo na quietude dos afetos a luz que nos ilumina o coração e faz pulsar a beleza da vida.
Obrigada por me ofereceres este dia e me teres acolhido no teu mês.
Hoje vincamos a cumplicidade e recebemos com a felicidade estampada no olhar o quadragésimo sétimo aniversário. É dia de festejar e saborear este presente de vida.
Obrigada, Julho!
Um beijo

Sabias que…
O meu coração ainda transpira de saudade
E a minha pele bate acelerada
Quando sinto o teu olhar abrir o meu na madrugada
Sabias que….
O meu corpo acorda devagar
Em silencio para ver o teu chegar
Cobrindo-te de amor a cada despertar
Sabias que…
Guardo-te no sossego das palavras
Escrevo o amor em cartas enamoradas
Tantas vezes desfolho letras perfumadas
Sabias que…
Por vezes não caibo em mim
Desnudo-me assim…

Não sei se é tempo de partir ou de chegar
Simplesmente acompanho o horizonte
Seguindo os dias
E hoje subo ao alto da montanha
Na tentativa de arrumar os pensamentos
Disfarçadamente o corpo torna-se leve
E a mente parece uma sombra pintada pelo sol
Crio a ilusão do silêncio ser a única porta
Por onde o corpo possa voltar.

Enquanto as horas vagueiam no meu corpo
Já o tempo rasgou os dias
E percorreu o sentido da minha pele
Sobrevivendo a esta fugaz passagem
Até entrar na memória do coração,
Soltando-se uma explosão de silêncio
E ouvindo-se o tempo despir
Uma palavra que ficou por dizer
Um sorriso apagado
A promessa prometida e não cumprida
O som de uma noite mal dormida
A vida esquecida de ser vivida,
E enquanto as horas passam
Olhamos para a vida já envelhecida…