Traz o teu amor para junto do meu
levamos os corações a viajar
voltamos quando os corpos deixarem de voar.
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Sempre que me ouço falar

Sempre que me ouvires falar
as minhas mãos estarão abertas
estendidas às palavras,
porque nem sempre sei dizer
o que está dentro de mim
e muitas vezes sinto o olhar a calar,
o fervilhar das emoções,
a nudez que me veste a pele
letra a letra,
a embriaguez dos sentidos
acentua-se nas sílabas
e prende o meu desabrochar,
sempre que me ouço falar…
Rasgar o caminho

Neste lugar habitado,
num tempo constante
jamais adiado,
ouço a voz da terra
firme,
como quem comanda a vida
e rasga o caminho
passada a passada,
murmurando silêncios
num rumo apressado,
sem nunca deixar o corpo tombar
pelas horas de cansaço.
Neste tempo inconstante,
por vezes desabitado,
que parece estar sempre atrasado
ouço a voz da terra,
presente na raiz da vida…
Não sei
… Entre fios …

Não sei se são viagens
estes percursos que faço
ou se são paragens,
momentos que desfaço
ao tricotar pensamentos,
criando, por vezes, um emaranhado de fios
que se fixam na memória
numa teia que bloqueia
não só a passagem da luz
como afasta o silêncio,
esse ponto que nos conduz
vivos pela vida.
Não sei se são viagens que faço
por todos os momentos que passo,
mas neste costurar de pensamentos
há sempre fios que se soltam,
talvez sejam atalhos
a unir a razão e a emoção
ou simplesmente pontos de abrigo
para albergar o coração.






