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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

Ao sabor do vento…

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A cortina abre-se
Convidando o vento a entrar
A espreguiçar-se no meu acordar
A inspirar a ingenuidade da alma
E a decifrar a nudez do corpo
Que respira cada movimento
Como se a pele fosse abrigo
De todas as sensações…

A cortina abre-se
Rodopiando na janela entreaberta
O ar pousa em todos os sentidos
Acentua-se a vontade de te ver chegar
De saborear o bater do vento
No aconchego dos nossos corações…

Somos olhares…

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Só quando me vejo nos teus olhos
Sinto a pacatez do tempo
Imagino as horas rendilhadas,
O largar dos fios
Que outrora as mantiveram apressadas
Encontro agora no nosso olhar
O vagar com que tecemos o tempo
O entrelaçar das nossas mãos
No retrato que une todas as pontas
Costuradas entre os dias
Em que os corpos vão envelhecendo,
Sem deixar o tempo suspender
O abrigo que acolhe a arte de viver
Somos olhares …

De mim … para mim

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Esqueci-me de mim
Estou à deriva
Sou empurrada pelo coração
Que bate para não ficar órfão
Não quer ser levado pela maré
Nem deixar o meu corpo afogar
Entre as margens
Sem rumo,
Sente medo de ter que aprender
A viver dentro de outro ser.
Não me deixa partir
Segura-me entre as suas veias
Até a minha pele voltar a acordar
E eu,
De mim me lembrar …

… Um presente …

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 A vida é um presente
Oferecido neste instante
Porquê abri-lo mais adiante?

 

O dia acordara cedo
Com um toque de palidez,
Talvez um pouco cansado
Mas disposto a abrir o olhar
Deixar o sol entrar,
Sentir o orvalho a desaparecer
Por entre as flores se esconder
E saborear a natureza a amanhecer.
A vida respira esta fragrância
Agarra os dias sem os deixar fugir
Sacode a poeira que assenta nos ombros
Cria asas e entrega-se a viver.

Abraço

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Quando o meu coração toca no teu
Bate satisfeito contra o teu peito
Traz o teu amor para junto do meu
Colhe no aconchego dos teus braços
Espaço para te oferecer os meus.
Vestimos os corpos de histórias
E neste silêncio,
Apenas cabe no olhar
A vontade de te abraçar.

O pisar do chão

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Descalça,
Sinto os meus próprios passos
Entranhando na terra
Percorrendo as raízes
Que se desprendem
E se agarraram à liberdade
De escolher o caminho
O pisar do chão
Que molda a orientação
Sem ter medo de seguir
De colher o que está para vir.
Descalça,
Neste rasgar de tempo
Que o corpo aprende a lavrar
Sem deixar que as feridas
O deixem abrandar…

 

O meu mar…

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Amanheceu com o ondular do mar a bater na soleira da porta.
Os búzios e as conchas quebram o silêncio, tamanha é a agitação ao entrarem desenfreados pelo portão que guardava a casa.
O cheiro a maresia penetra pelas frinchas e depressa se espalha pelas paredes que aconchegam o espaço onde o meu corpo dormitava.
Subitamente, a maré vazia que circundava a casa se enche de vida e até o sol se vem espraiar no meu jardim.
Abro a janela e acolho o olhar na beleza das hortênsias, cujo canteiro se apresenta bem vestido e colorido.
Por entre todos os cantos de flores navegam salpicos de diferentes cores que se misturam com os seus odores.
E toda a casa respira mar.
E eu, neste vai e vem, entrego-me ao balançar da minha cadeira amarela onde colho o repousar que me faz acordar todos os dias nesta terra a entrar pelo mar…