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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

Dizem que…

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Dizem que …
Amanhã é longe demais.
A escolha do caminho
Por onde vais
É o cruzamento entre o presente
Que se vê, vive e sente
E um tempo ainda ausente,
Dito importante,
Embora distante
Dos pensamentos reais.

Dizem que ….
O futuro é um tempo inseguro,
Talvez prematuro,
Difícil de alcançar
E que só no hoje devemos pensar!

Dizem que …
O hoje vai de norte a sul
E que o coração aprende a viver
Onde mais gosta de se ver.
Um presente
Que, ao acaso, rasgamos para ter.

Dizem que…
O hoje está perto
E acolhe os sentimentos no momento certo.

Dizem que…

De dentro de mim…

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Solta-se de dentro de mim
A aurora que desperta o dia,
Que desamarra os segredos
Guardados pela pele,
Enquanto dormia.

O rosto pousa silenciosamente
O olhar no espelho
E sacode o retrato
Ainda um pouco desarrumado,
Vestindo, apressadamente, o tato
Para compor a figura,
Não querendo mostrar amargura.

Solta-se de dentro de mim
Um pouco de ingenuidade,
Um sorriso que toa a verdade
E a voz, até então guardada,
Respira, enchendo-se de vaidade.

Solta-se de dentro de mim
Um esvaziar de palavras
Que se entregam ao dia
E, assim, vivo…

Talvez o outono…

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Se o outono soubesse
Que o meu coração entristece,
Tal como o dia escurece
E que o meu corpo rodopia
Tal como o vento assobia,
Talvez o outono quisesse
Levar-me como uma folha
Num voo que só ele conhece.

Se o outono soubesse
Que a minha alma engrandece
Sempre que o sol aparece,
E que a minha pele floresce
Tal como a vida cresce,
Talvez o outono pudesse
Despir o olhar que esmorece
Reavivar a memória que envelhece.

Entrego-me ao outono
Como se ele soubesse
De mim… Talvez

Como um livro de poesia

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O corpo ainda se enrosca a dormitar
Já as palavras começam a pestanejar,
Cúmplices com a vontade de despertar
O olhar que se vai estender a outros olhares,
Escutando o silêncio
Com que a vida vem beijar
O dia que se inicia…

…Por entre as mãos voam segredos
Que o tempo molda e acaricia,
E o dia abre-se à vida
Como um livro de poesia.

Ao sabor do vento…

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A cortina abre-se
Convidando o vento a entrar
A espreguiçar-se no meu acordar
A inspirar a ingenuidade da alma
E a decifrar a nudez do corpo
Que respira cada movimento
Como se a pele fosse abrigo
De todas as sensações…

A cortina abre-se
Rodopiando na janela entreaberta
O ar pousa em todos os sentidos
Acentua-se a vontade de te ver chegar
De saborear o bater do vento
No aconchego dos nossos corações…

Somos olhares…

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Só quando me vejo nos teus olhos,
Sinto a pacatez do tempo.
Imagino as horas rendilhadas,
O largar dos fios
Que outrora as mantiveram apressadas.

Encontro agora no nosso olhar
O vagar com que tecemos o tempo,
O entrelaçar das nossas mãos
No retrato que une todas as pontas
Costuradas entre os dias
Em que os corpos vão envelhecendo,
Sem deixar o tempo suspender
O abrigo que acolhe a arte de viver.

Somos olhares …

De mim … para mim

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Esqueci-me de mim,
Estou à deriva.
Sou empurrada pelo coração
Que bate para não ficar órfão.
Não quer ser levado pela maré,
Nem deixar o meu corpo afogar
Entre as margens.

Sem rumo,
Sente medo de ter que aprender
A viver dentro de outro ser.

Não me deixa partir.
Segura-me entre as suas veias
Até a minha pele voltar a acordar
E eu,
De mim, me lembrar …