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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

Onde pousa o olhar…

O olhar seguiu

Sem pensar se era início ou fim,

Sem sentir que fugiu,

Se estava perto ou longe de mim.

Viu as nuvens agarradas ao céu,

Os desenhos lá pendurados,

Livres,

Expostos à imaginação

De sobrevoar o denso manto que cobre a terra.

Seguiu,

Unido pelo olhar que viu.

Tudo era perfeito,

Até questionar

Se tudo aquilo realmente existiu.



Quantas vezes o olhar

Se encontra perdido,

Até pousar e ser entendido!

Quantas vezes…

Vamos buscar a primavera

Dá-me a tua mão

Guardei-te um lugar perto de mim.

Vamos buscar a primavera,

Trazê-la para dentro da poesia,

Aconchegá-la nas palavras que florescem

Plantá-la num canteiro de margaridas

E pedir ao sol que apareça,

Que nos traga um sorriso,

Uma luz que nos fortaleça.


Vamos buscar a primavera,

Embalados por entre as pétalas

Que rodopiam no nosso olhar.

E, quando ela finalmente quiser chegar,

Perto de mim haverá sempre

Uma réstia de saudade

A desabrochar…

…Entre Ecos…

A chuva toca nas vidraças das janelas,

A música ecoa dentro de casa.

Embebo-me na melodia

E viajo sem bagagem,

Entre os movimentos que o corpo solta

E o acaso,

Sem qualquer compromisso,

Alheio à idade,

Afastado da rotina.

Livre,

Simplesmente a ouvir a voz,

A voz que transparece verdade,

Feminina.

As palavras vestidas com vaidade

Despertam-me.

Enquanto a chuva bate lá fora,

Danço,

A poesia que ouço,

A poesia que escrevo…

Sou mulher

Hoje e outro dia qualquer.

Olhar a noite

Olho para a noite

Através do dia que finda,

Pelo céu que entardece,

Pelo escuro que dita segredos

Que ninguém conhece…


Enquanto uns dormem

Outros sonham.

Entre os que nascem

E gritam para a vida,

Há os que choram

A dor da partida…


Olho para a noite

Através do silêncio que cresce,

Pelo peso que se aninha nas pálpebras,

Pelo cansaço que pousa no corpo,

Até entrar no dia que amanhece…


Enquanto uns voam

Outros caminham.

Entre os que veem a luz

E respiram liberdade,

Há os que se fecham na escuridão,

Roubando aos dias a felicidade…


Olho para a noite,

E gosto de olhá-la!

E agora?

Demorei o olhar

Nos olhares sentados

Nos bancos do jardim…

Nesses assentos de vida,

De vida respirada

Tantas vezes

Em horas aceleradas,

Pela rotina que vestia os dias.

E agora?

Nos bancos do jardim

Repousa o tempo,

O tempo enamorado nas lembranças

Que perduram no silêncio,

À espera de encontrar quem as possa escutar.

E agora?

Nos bancos do jardim,

À sombra de um corpo envelhecido

Moldado pelas dores da solidão,

Cabe o repouso de um andar cansado

Que, ao abrir os olhos, vê o passado.

Tantas vezes

Pousou o olhar nos olhares sentados

Nos bancos do jardim…

E agora?