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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

Porquê?

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A dor que me veste o peito
E o desgosto tatuado no rosto
São retrato de um coração desfeito
Cravado de agonia
Transbordando de angústia
Tanto de noite como de dia.

Ausentaram-se as palavras
Para costurar a ferida
Que sangra pela partida
De uma vida interrompida
Onde o manto de tristeza
Cobre e sufoca a leveza.

Os gestos perdem o sentido
O corpo vagueia mudo e perdido
A saudade rasga-me a pele
Enquanto o olhar repousa
No silêncio da solidão
E pergunta, porquê?

Entrelaçados

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Quero que habites
Todos os pontos onde moro
Quero ser a pele
Do teu caminho
O pouso entre os teus voos
Cobrir as nuvens
Enquanto o céu se abre
Voar entrelaçada nas tuas asas
Tecer a liberdade
E voltar ao ninho
Para alimentar a vontade
De viver o amor
Vesti-lo com a idade
Aprender a envelhecer
Lado a lado
Sentir o teu olhar
Na minha pele enrugada
Feliz de tanto ser amada.

Bom dia!

 

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“Cada dia é uma fragrância
O meu coração um frasco de perfume
Alberga a doçura de saber amar
Liberta frescura ao acordar”

O dia acorda silencioso
Um pouco preguiçoso
Tal como o meu corpo
Ainda alimenta a madrugada
Avesso à alvorada
Entre gestos desajeitados
Tombados,
Sob a inércia do aconchego.
Enquanto o tempo
Aparece meio ensonado
Até um pouco camuflado
Mas não para de dar corda às horas
Flecha que me crava o pensamento
Não me deixa saborear o momento
Quero receber o amanhecer
Calmamente,
Como assim deve ser!

Estendo-te as minhas mãos

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Estendo-te as minhas mãos
O espelhar do meu olhar
O tato do meu retrato
Onde guardo as palavras
Que não sei pronunciar.
Albergo segredos
Histórias e memórias
Traços de identidade
Mãos que alimentam a paixão
Traduzem os gestos
Vividos pelo coração.

Estendo-te as minhas mãos
Acariciadas pela idade
Vinco de personalidade
Cor da minha pele.
Porto de abrigo
Aconchego e sorriso
Mãos que costuram feridas
Construem laços
Fortificam abraços
Vestem-se de cumplicidade
Partilham felicidade.

Estendo-te as minhas mãos
Que dizem o que sentem
Não mentem,
Mãos que choram a dor
Mãos que vivem de amor.

Apenas um sonho

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… Pela vontade de não querer viver pela metade
Encaixo os sonhos na minha realidade
Balanço entre a ilusão e a razão…

Ainda que
Seja apenas um sonho
Agarro a tua presença
Entre suspiros,
Sinto-te dentro de mim
Tomo conta das horas
Para que a noite não tenha fim.
Quando o amanhecer
Me vier acordar
Vou guardar-te no meu coração
Até ao anoitecer
Para quando adormecer
Continuar a sonhar.
Não vou deixar o sono
Roubar-te
Simplesmente assim…

Entre incertezas…

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Sou feita de tantas incertezas
Com certeza nem sei quem sou
Guardo pedaços de existência
Para não perder a inocência
Da idade que o corpo
Carrega para onde vou.

Não consigo saciar a vontade
De pousar em todas as palavras
Tudo o que é estranho entranha
Preencho os dias de silêncios
Memorizo todos os olhares
Retrato-me em múltiplos lugares.

Percorro passos certos
Que me levam a destinos incertos
Encontro sentidos há muito perdidos
Remendo partes de mim
Na incerteza que me cobre o ser
Há uma luz que nunca se irá perder.

 

Dizem… que é outono

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Diz-se…
Que é a quietude da alma
Que cai sob a essência das folhas
E num feitiço de cores
Pintam a natureza
De tons quentes
Que aquecem o olhar
No estalar do frio
Que nos vem visitar.

Diz-se …
Que é o adormecer dos dias
Entre o céu acinzentado
E o sol amedrontado
Com o soprar do vento
E o cair da chuva
Que lhe roubam o raiar
Esconde-se deprimido
E só às vezes vem espreitar.

Diz-se …
Que é o colher de sensações
Um curar de feridas e cicatrizes
Um remexer de emoções
Entre o refúgio das lembranças
E a audácia das mudanças
Num bater de asas
Rumo a novas fragrâncias
Abrigo de todas as estações.

Dizem…
Que é o outono.

Traços…

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Da terra guardo os segredos
Promessas de um campo aberto
Sémen de trigo que germina
Entre o ventre das colinas
E a suave brisa do silêncio.
O olhar pousa e repousa
O corpo fatigado pela safra
Do amadurecer dos sonhos
E da colheita dos desejos
Semeados no regaço do coração
Tecidos no abrigo da imaginação.
Por entre os traços verdes do arvoredo
Cresce a raiz que me prende à vida.