Desconhecida's avatar

Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

O Mar

o mar

Imensidão azul
Visão que se perde no infinito
Pensamento que flutua aflito
À deriva entre o norte e sul
Pela busca de algo imaginário
Desconhecido no teu abecedário.

Horizonte perdido entre o céu e a terra
Reflexo de vida na maré inconstante
Procura de algo ausente e distante
Consciente que se perde e se erra
Tantas vezes a minha alma navega
Até encontrar quem a sossega.

O além de outros tempos
Riqueza, poder e fama
Tesouro escondido que ninguém reclama
Entre mitos, lendas e passatempos
Estão os piratas fortes e destemidos
Que até hoje mergulham nos teus bramidos.

Calmo e sereno
Forte e turbulento
Quantas vidas deitadas ao relento
Na busca de encontrar o amor pleno
És Confidente de amor e paixão
Para muitos uma fonte de inspiração.

Incógnita a decifrar
Segredos guardados no teu abismo
Junto das sereias e em profundo misticismo
Sentes os queixumes no seu ondear
Enquanto reflete o brilho fulgente
No paraíso perfeito e ardente.
O Mar!

Mundo Cruel

paris-1789706_960_720

Este mundo não é o meu
Mas dizem que é nosso
Como é frágil e como adoeceu
Quero voltar ao meu mundo
Mas dizem que não posso.
Vivemos em sociedade
Em países civilizados
Entre doutores, políticos e magistrados
Com excesso de poder e mediocridade.
Invadidos por culturas extremistas
Entre assassinos e também terroristas
Estão os que se nomeiam heróis por lutar
E por quantos mais inocentes matar.
Este mundo proíbe-nos de sonhar
Somos reféns da ignorância
Do fracasso e da intolerância
Das atitudes de repugnância
Manifestadas em atos de violência
Neste mundo de demência.

#PrayForParis

Saudade

pedrasEstás Perto
Mas longe de mim
Sinto o coração em aperto
Pela distância que não tem fim.
Sinto falta do teu olhar
Das tuas mãos acariciar.
Não encontro o teu sorriso
Não ouço o som da tua voz
Mergulho num mundo vazio e atroz.
Sinto o corpo frio
Faz-me falta o teu abraço
O deitar no aconchego do teu braço.
Quero-te aqui, só para mim
Sinto saudades de estar contigo
Quero-te aqui, até ao fim….

Quero Ser

teaDescobri que o tempo voa
Não acompanho a sua velocidade
Aproveito as asas do vento
Para até ti chegar a minha cumplicidade.

Quero ser a estrela do teu sonho
O sorriso do teu amanhecer
A fragrância que te envolve os sentidos
Num beijo de desejo e prazer.

Não quero desperdiçar em lágrimas
O tempo que se traduz breve
Quero ser a chama da tua essência
A luz que te guia suave e leve.

Não quero colecionar memórias
Que o tempo já fez esquecer
Quero antes ilustrar os teus dias
Partilhar o sonho que me faz viver.

Quero ser a magia do teu segredo
O manto que te aquece o coração
A melodia que dita o enredo
Na loucura das noites que vivemos com paixão.

Em desalinho

dark road

Já não sei o que sinto
Já não sei o que é sentir
Tenho as mãos vazias
O corpo preso à dormência
A dor que se apodera da minha existência.

Vagueio por um caminho já extinto
Perdida e em desalinho
Tenho o medo como companhia
O corpo rendido a uma falsa calma
Que me faz adormecer a alma.

Já nada me importa
Não sei se alguma vez me importei
Tenho o coração a sangrar
O corpo sem força de existir
A falência dos sentidos que me faz desistir.

Mulher bonita

nenufarMulher bonita, porque choras?
Trazes no rosto o luto
Das roupas escuras que vestes,
A tua expressão acusa cansaço
Pelas batalhas difíceis que tivestes.
És guerreira, conquistaste o teu espaço
Atenta e dedicada, sempre mantivestes
Os filhos no aconchego do teu regaço.
Desconheces o que é a infância
Fizeram de ti mulher em vez de criança.
Cresceste depressa e a longa distância
Os valores humanos são a tua melhor herança.
As tuas mãos, hoje envelhecidas
Foram, em tempos, o amparo das nossas feridas.
As rugas que figuram no teu rosto
São a marca da tua essência
E apesar de alguns momentos de desgosto
Nunca sentimos a tua ausência.
A tua raça é forte
És uma pessoa respeitada e admirada,
Quantas vezes o único suporte
De todos por quem és amada.
Mãe!

Lisboa

elevador gloria

Passeio entre as ruas estreitas da cidade
E os becos onde ecoa a conversa das vizinhas
Que debruçadas nas varandas coloridas das casinhas
Traduzem em gestos de lamúria e cumplicidade
O apego às origens, despidas de qualquer vaidade.
Desço a calçada rodeada de vielas
Enquanto sobe a encosta o elevador da Glória
Tem o miradouro como paragem obrigatória
Onde os artistas mostram as suas aguarelas
E os namorados dão as suas escapadelas!
O Tejo reflete o encanto da cidade
A vista perde-se em tamanha graciosidade
O pensamento rende-se à inspiração
Da paixão vivida pelos amantes
Que diante desta paisagem prenderam o seu coração.

Solidão

campoDa janela do meu quarto
Vejo os campos em flor
As árvores a crescer
O entristecer do entardecer
Quando o sol teima em desaparecer.
Da janela do meu quarto
Sinto uma réstia de luz a entrar
Num corpo sonâmbulo a vaguear
Entre o crepúsculo e o falso acordar.
Tudo se perde na escuridão da noite
Da janela do meu quarto
Já não vejo as árvores e os campos em flor
Apenas um vazio que ecoa a dor
Num silêncio e escuro perturbador.
Fecho os olhos e alimento a ilusão
De não sentir a presença da solidão
A sombra que a tua ausência deixa mim
Impaciente para que esta noite chegue ao fim.

Outono

outono

Caem as folhas
Rodopia o vento
Na magia do movimento
Um tapete de cores
Cai por terra parecendo flores.
Caem as folhas
O céu escurece
O brilho do dia esmorece
As árvores ficam despidas
As esplanadas menos apetecidas.
O verão abandona o seu trono
Eis a chegada do outono!
Traz a chuva e o frio
O tiritar que nos provoca arrepio.
O Cenário é perfeito para partilhar
O conforto quentinho do lar
Ouvir o estalido da lenha a queimar
Enquanto se sente o calor dos corpos a arfar.
Sabe bem um bom vinho degustar
E a tua companhia apreciar.
Caem as folhas…

Porto Seguro

porto seguro

Procuro
O caminho
O ponto alto que me faz sentir segura
O aqui e agora
Onde encontre paz e não amargura.

Procuro
O abrigo
O conforto do aconchego
O sopro que prende a respiração
A leveza do desassossego.

Procuro
O valor do sentimento
O que distingue a raça humana
Não aparece nos jornais, nem nas redes sociais,
Oh gente, que entre uns e outros se engana
Colocais pedaços de vida à deriva
Que jamais chegarão ao cais.

Procuro
No balanço das marés
Afogar a dor,
Viver em equilíbrio
Proporcionar momentos de amor.

Procuro
Encontrar um porto
Onde possa ancorar
Ver os barcos partir e chegar
E no teu coração naufragar.