Deixa-me olhar para ti
Deixa-me ver
Se a luz que hoje trago
Ilumina o teu olhar
Incendeia a tua pele
E aquece o teu coração.

E assim será
De tarde em tarde
Viajar no teu vento
Debruçar o meu coração no teu horizonte
Sentir a brisa a rodopiar
Como se fosse ler o meu pensamento
Até entregar a nudez da minha pele
Ao teu enrolar vadio
Que me prende e desprende
Neste cair de tarde
De todas as tardes
Onde o meu olhar se embebeda
Pelo teu mar…

Esperei de todas as formas que é possível esperar
Dias e dias, horas entre horas até o tempo parar
Enrolei-me nas noites frias, despida
Camuflada nas trevas
Dentro do silêncio da vida
No seio dos meus seios
Onde a tua voz pernoitava
E o nosso amor se conjugava.
Vejo todas as formas que é possível ver
À espera de saciar as esperas
Sabendo que o tempo não sobra
E não espera por mim.

Será saudade
Quando o coração vai destapando a sombra
E mostrando que as lágrimas
Deixaram de cair
Mas que o teu espaço não deixou de existir
Tal como o rio que corre para o mar
O meu amor por ti não se deixa afundar.
Será saudade
As lembranças que vivem dentro do tempo
E que o tempo faz crescer nesta linha de vida
Mostrando que apesar de não estares aqui
Não deixamos de nos ver
Só morres quando a minha memória desaparecer.
Para ti,
Meu querido irmão.

O que cala a voz que trago no peito
O silêncio da chuva que cai
O rio que corre depressa
Fugindo do seu leito
Ou a surdez de quem passa
De olhar insatisfeito?
Não há tempo para recuar
Somos a multidão premiada para avançar
Não importa onde a corrente possa desaguar
Tecemos uma linha onde o destino é triunfar.
Sinto a voz do meu peito a afogar…

No espaço do meu corpo
Habita a ausência e a presença
Entre o querer e o não querer
E cresce um lugar chamado ser
Que me diz do que sou feita
Entre o que deixei por fazer.
Descreve a pele que me veste
Sem julgar ou repreender
Ilumina o caminho do meu caminhar
Faz-me promessas sem se comprometer.
Habita-me um espaço que só eu o sei entender…

Senti a tua chegada
Através dos dias curtos
E das folhas que caem na calçada
Deixo-te entrar na minha morada
Saboreio os teus aromas
Aceito a melancolia que trazes vestida
Sinto a minha pele renovada,
Não sei o que perdi
Talvez os poemas que não escrevi
Atados a um tempo que parou
Entupida de silêncio
Mas algo no outono me despertou…

A janela abriu-se para a vida.
O dia entrou em todos os recantos, acolhendo os olhares da manhã e preenchendo o espaço com vontade de festejar. O silêncio foi interrompido pelo bater acelerado do coração ao receber o presente de mais um ano, para alegremente juntar aos anos que conto de vida.
Sabia que julho tinha um dia que era meu e com ele vou fazendo o caminho… sem pressa, aprendendo com o tempo que ir mais longe muitas vezes é simplesmente estar perto.
Ontem foi um dia pleno de gratidão, de amor e felicidade… Um colher de afetos ao celebrar o meu quadragésimo oitavo aniversário.
…A vida como presente,,,

O que nos separa da vida
Não é o tempo que não temos
Nem os dias apressados que vivemos
Não são as pessoas que não vemos
São as palavras que não dizemos
São as emoções que escondemos
São os olhares que perdemos
São os vazios que não preenchemos
O que nos separa da vida
É o que temos e não percebemos…