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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

E assim será…

E assim será

De tarde em tarde

Viajar no teu vento

Debruçar o meu coração no teu horizonte

Sentir a brisa a rodopiar

Como se fosse ler o meu pensamento

Até entregar a nudez da minha pele

Ao teu enrolar vadio

Que me prende e desprende

Neste cair de tarde

De todas as tardes

Onde o meu olhar se embebeda

Pelo teu mar…

…Esperas…

Esperei de todas as formas que é possível esperar

Dias e dias, horas entre horas até o tempo parar

Enrolei-me nas noites frias, despida

Camuflada nas trevas

Dentro do silêncio da vida

No seio dos meus seios

Onde a tua voz pernoitava

E o nosso amor se conjugava.

Vejo todas as formas que é possível ver

À espera de saciar as esperas

Sabendo que o tempo não sobra

E não espera por mim.

Retrato do dia

Hoje o sol veio espreitar à janela

Senti a luz a entrar no meu peito

A pele tece um aconchego

Um respirar iluminado e perfeito

O corpo deixa de hibernar

E o coração parece sossegar,

Entro em movimentos alinhados

E guardo este alimento

Como se fosse um beijo

A saciar-me o olhar.

Será Saudade?

Será saudade

Quando o coração vai destapando a sombra

E mostrando que as lágrimas

Deixaram de cair

Mas que o teu espaço não deixou de existir

Tal como o rio que corre para o mar

O meu amor por ti não se deixa afundar.


Será saudade

As lembranças que vivem dentro do tempo

E que o tempo faz crescer nesta linha de vida

Mostrando que apesar de não estares aqui

Não deixamos de nos ver

Só morres quando a minha memória desaparecer.


Para ti,

Meu querido irmão.

Certo ou Incerto

O que cala a voz que trago no peito

O silêncio da chuva que cai

O rio que corre depressa

Fugindo do seu leito

Ou a surdez de quem passa

De olhar insatisfeito?


Não há tempo para recuar

Somos a multidão premiada para avançar

Não importa onde a corrente possa desaguar

Tecemos uma linha onde o destino é triunfar.


Sinto a voz do meu peito a afogar…

…O que me habita…

No espaço do meu corpo

Habita a ausência e a presença

Entre o querer e o não querer

E cresce um lugar chamado ser

Que me diz do que sou feita

Entre o que deixei por fazer.


Descreve a pele que me veste

Sem julgar ou repreender

Ilumina o caminho do meu caminhar

Faz-me promessas sem se comprometer.


Habita-me um espaço que só eu o sei entender…

Outono

Senti a tua chegada

Através dos dias curtos

E das folhas que caem na calçada

Deixo-te entrar na minha morada

Saboreio os teus aromas

Aceito a melancolia que trazes vestida

Sinto a minha pele renovada,

Não sei o que perdi

Talvez os poemas que não escrevi

Atados a um tempo que parou

Entupida de silêncio

Mas algo no outono me despertou…

A vida como presente

A janela abriu-se para a vida.

O dia entrou em todos os recantos, acolhendo os olhares da manhã e preenchendo o espaço com vontade de festejar. O silêncio foi interrompido pelo bater acelerado do coração ao receber o presente de mais um ano, para alegremente juntar aos anos que conto de vida.

Sabia que julho tinha um dia que era meu e com ele vou fazendo o caminho… sem pressa, aprendendo com o tempo que ir mais longe muitas vezes é simplesmente estar perto.

Ontem foi um dia pleno de gratidão, de amor e felicidade… Um colher de afetos ao celebrar o meu quadragésimo oitavo aniversário.

…A vida como presente,,,

O que temos?

O que nos separa da vida

Não é o tempo que não temos

Nem os dias apressados que vivemos

Não são as pessoas que não vemos

São as palavras que não dizemos

São as emoções que escondemos

São os olhares que perdemos

São os vazios que não preenchemos

O que nos separa da vida

É o que temos e não percebemos…