Não sei o que dizer
Na ausência das palavras
Resta apenas o silêncio
O silêncio da poesia…
O sorriso amanheceu
Depois de se espreguiçar
Abriu a janela para o sol entrar
Sacudiu o corpo
E de braços abertos agradeceu
O silêncio que o dia lhe trouxe
E as horas que o tempo tem para lhe dar,
De olhos postos em mim
Vestiu-me o rosto
E ensinou-me a apreciar
A simplicidade de ver o dia a começar
Oferecendo um sorriso
Aos sorrisos que irei ou não encontrar…

Atamos laços
Damos abraços
Somos presentes
Numa casa que se quer cheia
De sorrisos, de improvisos
De amor, de amizade
Lembramos a saudade
Como memórias de união
Herança das vivências
Que guardamos no coração.
Somos vida
A fervilhar entre vidas
Nas emoções que desembrulhamos
Nos momentos que iluminamos
Quando simplesmente estamos
E nada mais esperamos
Senão a partilha da felicidade
Sempre que seja Natal
Ou não…
Que as palavras esvoacem
E o mundo inteiro abracem
A todos Um Feliz Natal!

E assim será
De tarde em tarde
Viajar no teu vento
Debruçar o meu coração no teu horizonte
Sentir a brisa a rodopiar
Como se fosse ler o meu pensamento
Até entregar a nudez da minha pele
Ao teu enrolar vadio
Que me prende e desprende
Neste cair de tarde
De todas as tardes
Onde o meu olhar se embebeda
Pelo teu mar…

Esperei de todas as formas que é possível esperar
Dias e dias, horas entre horas até o tempo parar
Enrolei-me nas noites frias, despida
Camuflada nas trevas
Dentro do silêncio da vida
No seio dos meus seios
Onde a tua voz pernoitava
E o nosso amor se conjugava.
Vejo todas as formas que é possível ver
À espera de saciar as esperas
Sabendo que o tempo não sobra
E não espera por mim.

Será saudade
Quando o coração vai destapando a sombra
E mostrando que as lágrimas
Deixaram de cair
Mas que o teu espaço não deixou de existir
Tal como o rio que corre para o mar
O meu amor por ti não se deixa afundar.
Será saudade
As lembranças que vivem dentro do tempo
E que o tempo faz crescer nesta linha de vida
Mostrando que apesar de não estares aqui
Não deixamos de nos ver
Só morres quando a minha memória desaparecer.
Para ti,
Meu querido irmão.

O que cala a voz que trago no peito
O silêncio da chuva que cai
O rio que corre depressa
Fugindo do seu leito
Ou a surdez de quem passa
De olhar insatisfeito?
Não há tempo para recuar
Somos a multidão premiada para avançar
Não importa onde a corrente possa desaguar
Tecemos uma linha onde o destino é triunfar.
Sinto a voz do meu peito a afogar…