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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

Amanheceu o outono

Amanheceu o outono
a manhã ainda se espreguiça
e as nuvens parecem ter adormecido.

O dia caminha a passo lento
talvez até um pouco abatido,
mas contrariando a direção,
o outono chega firme e decidido.

No olhar dos nossos olhos
há pressa na paisagem,
parece haver um breve abandono,
as folhas vão caindo,
deixando as árvores despidas,
as conversas viram de página
ganhando um novo sentido.

A estação entra num novo horizonte,
a vida segue vida,
ao encontro da outra margem…

Queria apenas ser vento…

Da minha janela vi um vento que desconhecia
não sei se chegava ou partia,
voava alto,
arranhava o céu
rodopiava certo dos movimentos que fazia,
mostrava leveza e sabedoria,
arrastava uma aragem bem arrumada.

A minha janela ganhou outra dimensão,
a casa ficou mais iluminada,
senti que o meu olhar já não me pertencia
e o corpo caminhava em outra direção,
despindo a preocupação,
empurrando o pensamento
para viajar nas asas deste vento.

É dia de festejar!

Olá, julho,

O dia ainda amanhece…

Não sei se sentes o meu sentir, não sei se vês no meu olhar a vontade de te receber e não te deixar ir embora sem antes festejar contigo. Esvoaçamos juntos para completar mais um voo e somar à idade que tenho, a idade que trazes para me oferecer. Que bonito presente!

A vida é um regaço de emoções… É colo que acolhe e é asa que faz esvoaçar.

Sinto-me grata pela tua visita, pela nossa cumplicidade e por este presente… o meu quadragésimo nono aniversário.

Obrigada, julho!

Ceifar a saudade

Os dias vão passando,
o corpo passeando,
mas o amor reclama a distância…

Os passos que trazem o teu olhar
até ao meu, cansado de esperar,
pelos beijos que em mim semeias
e pelos gestos que me dilatam as veias,
sempre que ceifamos a saudade
entre os dias que vão passando
e o amor que vamos debulhando…

Um poema para o dia

Decidi escrever para pincelar o dia
está um pouco tímido, sem alegria.
As palavras já aguardam o seu lugar,
não querem perder este adjetivar.

Vestem-se de cor, confiantes ao seu jeito
trazem versos e rimas, trajam a preceito.
O dia continua agasalhado de solidão,
as palavras querem ser poema no seu coração.

Um poema nasceu
e o dia agradeceu
a luz que este lhe deu…

É outra vez verão!

É outra vez verão!
Esses dias que caminham longos,
abastecem o corpo de luz,
abrem a porta do coração
de onde saem as palavras
sedentas de se desnudarem
nas marés,
nessa força de ir mais além,
no encontro de vida
onde o amor se deixa ir também…

É outra vez verão!
Esses dias que caminham longos,
leves, carregados de emoção!