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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

Numa casa cheia

Atamos laços
damos abraços
somos presentes
numa casa que se quer cheia
de sorrisos, de improvisos
de amor, de amizade,
lembramos a saudade
como memórias de união
herança das vivências
que guardamos no coração.

Somos vida
a fervilhar entre vidas
nas emoções que desembrulhamos
nos momentos que iluminamos,
quando simplesmente estamos
e nada mais esperamos
senão a partilha da felicidade
sempre que seja Natal,
ou não…

E assim será…

E assim será
de tarde em tarde,
viajar no teu vento
debruçar o meu coração no teu horizonte
sentir a brisa a rodopiar
como se fosse ler o meu pensamento
até entregar a nudez da minha pele
ao teu enrolar vadio,
que me prende e desprende
neste cair de tarde
de todas as tardes,
onde o meu olhar se embebeda
pelo teu mar…

…Esperas…

Esperei de todas as formas que é possível esperar
dias e dias, horas entre horas até o tempo parar
enrolei-me nas noites frias, despida
camuflada nas trevas
dentro do silêncio da vida
no seio dos meus seios
onde a tua voz pernoitava
e o nosso amor se conjugava.

Vejo todas as formas que é possível ver
à espera de saciar as esperas,
sabendo que o tempo não sobra
e não espera por mim.

Retrato do dia

Hoje o sol veio espreitar à janela
senti a luz a entrar no meu peito
a pele tece um aconchego
um respirar iluminado e perfeito
o corpo deixa de hibernar
e o coração parece sossegar.

Entro em movimentos alinhados
e guardo este alimento
como se fosse um beijo
a saciar-me o olhar.

Será Saudade?

Será saudade
quando o coração vai destapando a sombra
e mostrando que as lágrimas
deixaram de cair,
mas que o teu espaço não deixou de existir.
Tal como o rio que corre para o mar
o meu amor por ti não se deixa afundar.

Será saudade
as lembranças que vivem dentro do tempo
e que o tempo faz crescer nesta linha de vida,
mostrando que apesar de não estares aqui
não deixamos de nos ver,
só morres quando a minha memória desaparecer.

Para ti,
meu querido irmão.

Certo ou Incerto

O que cala a voz que trago no peito
o silêncio da chuva que cai,
o rio que corre depressa
fugindo do seu leito
ou a surdez de quem passa
de olhar insatisfeito?

Não há tempo para recuar
somos a multidão premiada para avançar
não importa onde a corrente possa desaguar
tecemos uma linha onde o destino é triunfar.

Sinto a voz do meu peito a afogar…

…O que me habita…

No espaço do meu corpo
habita a ausência e a presença
entre o querer e o não querer
e cresce um lugar chamado ser
que me diz do que sou feita
entre o que deixei por fazer.

Descreve a pele que me veste
sem julgar ou repreender
ilumina o caminho do meu caminhar
faz-me promessas sem se comprometer.

Habita-me um espaço que só eu sei entender…

Dias curtos

Senti a tua chegada
através dos dias curtos
e das folhas que caem na calçada
deixo-te entrar na minha morada
saboreio os teus aromas
aceito a melancolia que trazes vestida
sinto a minha pele renovada.

Não sei o que perdi
talvez os poemas que não escrevi
atados a um tempo que parou
mergulhada em silêncio
mas algo no outono me despertou…