A chuva cai,
toca no chão.
O vento sopra,
toca nas folhas.
O dia nasce,
toca na vida.
O silêncio é uma melodia,
toca no coração.
O olhar brilha,
toca na paixão.
Entrelaçamos as mãos,
toque de perfeição…

Será este sentir que trago no peito
que me desarruma o corpo
e me sussurra o pensamento quando me deito,
enquanto me despe o olhar,
desejoso de o teu corpo albergar.
Será este rasgar que sinto na pele,
desassossego para em ti sossegar?
Será?

Hoje sou maresia
porto de abrigo
cais de companhia.
Quero entrar no teu mar,
afogar-me nos teus beijos
mergulhar na tua rota
e deixar-me levar.
Embarquei…

Toco-te
como se as minhas mãos
fossem o respirar do teu acordar,
alicerces
para a tua vida segurar,
presente mais que perfeito
do verbo amar,
como se fossem paz para o teu olhar…
Silêncios de arrepiar.

Alinhavo o olhar,
traço o sentido do coração,
costuro as linhas do tempo,
debruo, ponto a ponto,
o caminho que escolhemos caminhar.
Dou cor ao respirar,
como se estivesse a entrelaçar,
fio a fio,
o meu amor ao teu.
Assim nascem as palavras,
agarradas aos sonhos
que não deixam a vida parar.

Importa sentir os beijos
que caem na pele como desejos
acordam a memória da alma
revestem o corpo de calma,
suavizam a vontade entre ir e ficar
remédio que faz o coração sarar,
palavras ditas com o olhar
que os lábios deixam tocar.
São beijos!

Enquanto procurava a minha liberdade
o meu coração pulava de felicidade.
Sabia que tínhamos o mesmo destino,
respirávamos a mesma paixão
donos de uma grande emoção.
Contudo,
por vezes, eu não lhe dava a devida atenção.
Ainda assim,
nunca abdicou da sua dedicação
ao viver dentro de mim,
mostrando-me sempre a sua lealdade
querendo que eu fosse feliz de verdade!
De coração…

A alma despiu-se
depois do sol se pôr.
Os sentidos rendidos
ficaram a nu
desprotegidos,
a pele acelera
faz os poros arrepiar
e o corpo ganha vida
pelo toque do teu olhar.