
Embrulho-me
No aconchego da tua pele
Como se fosse tecido
Macio e aveludado
O meu corpo fica assim preenchido
Mas o coração permanece destapado
Livre para te receber e ser amado.

Será este sentir que trago no peito
Que me desarruma o corpo
E me sussurra o pensamento quando me deito
Enquanto me despe o olhar
Desejoso pelo teu corpo albergar.
Será este rasgar que sinto na pele
Desassossego para em ti sossegar.
Será?

Toco-te
Como se as minhas mãos
Fossem o respirar do teu acordar
Alicerces
Para a tua vida segurar
Presente mais que perfeito
Do verbo amar
Como se fossem paz para o teu olhar
Silêncios de arrepiar.

Alinhavo o olhar,
traço o sentido do coração,
costuro as linhas do tempo,
debruo, ponto a ponto,
o caminho que escolhemos caminhar.
Dou cor ao respirar,
como se estivesse a entrelaçar,
fio a fio,
o meu amor ao teu.
Assim nascem as palavras,
agarradas aos sonhos
que não deixam a vida parar.

Importa sentir os beijos
Que caem na pele como desejos
Acordam a memória da alma
Revestem o corpo de calma
Suavizam a vontade entre ir e ficar
Remédio que faz o coração sarar
Palavras ditas com o olhar
Que os lábios deixam tocar
São beijos!

A alma despiu-se
Depois do sol se pôr
Os sentidos rendidos
Ficaram a nu
Desprotegidos,
A pele acelera
Faz os poros arrepiar
E o corpo ganha vida
Pelo toque do teu olhar.

Silenciosamente
Procuro a sombra do teu corpo
Para deitar o meu,
Peço ao sol para alongar a sua estadia
Para dar mais horas a este dia
Gosto de sentir a tua companhia.

Hoje trago comigo o cheiro
Que o vento colhia
No caminho que percorria
Enquanto portador e mensageiro
Do amor que com ele levava e trazia.
O meu corpo vestiu-se da tua ausência
Empurrando o tempo com o olhar
Distraindo deste modo a aparência
Que se mostra vazia e desnudada
Saudosa de contigo querer estar.
Peço ao vento que mude de direção
Que te traga de novo para o meu coração…

Quando o meu coração toca no teu
Bate satisfeito contra o teu peito
Traz o teu amor para junto do meu
Colhe no aconchego dos teus braços
Espaço para te oferecer os meus.
Vestimos os corpos de histórias
E neste silêncio,
Apenas cabe no olhar
A vontade de te abraçar.

Todos os dias olho para o céu
Todos os dias me parece igual
Ainda assim,
Sinto que por vezes me entristece,
Repleto de nuvens quando amanhece
Há dias em que mostra um sorriso
Colorido no rosto,
Satisfeito e bem-disposto.
O meu olhar estende-se no seu olhar
O que me leva a reparar
Que estando sempre no mesmo lugar
Vive os dias sem os igualar.
Todos os dias olho para o teu olhar
Tendo o céu por perto a acompanhar
Ainda assim,
Todos os dias gosto de te amar.