Rotina dos dias…

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Todos os dias olho para o céu
Todos os dias me parece igual
Ainda assim,
Sinto que por vezes me entristece,
Repleto de nuvens quando amanhece
Há dias em que mostra um sorriso
Colorido no rosto,
Satisfeito e bem-disposto.
O meu olhar estende-se no seu olhar
O que me leva a reparar
Que estando sempre no mesmo lugar
Vive os dias sem os igualar.
Todos os dias olho para o teu olhar
Tendo o céu por perto a acompanhar
Ainda assim,
Todos os dias gosto de te amar.

 

Guardo-te em mim

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Albergo no meu olhar a promessa, a vontade de manter no espaço da minha existência, uma porta sempre aberta para que o nosso sorriso continue a encontrar-se e o meu coração ficará entreaberto para guardar o aroma da tua voz e acolher os beijos que os nossos lábios abraçam quando se sentem sós.
Na imensidão deste labirinto, onde o pensamento por vezes se afunda, imerge o retrato da profundidade de um corpo que navega certo de querer ancorar no lugar onde o horizonte se cruza com o mar e onde os nossos mundos se possam entrelaçar.
Cabe agora em mim, não só o amor que me faz amar, mas também a liberdade para gastar as palavras com este sentir…é para ti que escrevo.
Albergo no meu olhar a promessa de ser porto de abrigo…
Guardo-te em mim.

Sonhar, Amar e Voar…

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Gosto de sentir o sono chegar
Abro a janela
Para os sonhos poderem entrar
Caminho pela noite dentro
Em histórias que me vêm buscar
Andamos de lugar em lugar
Cúmplices da escuridão,
Desembrulhamos o coração
E as palavras seguem o luar
Despidas e soltas
Como se fossem estrelas
A brilhar de tanto amar…

Estremeço com o amanhecer
Mas o olhar ainda sonha
Fecho a janela
Para o dia não levar os sonhos
Que guardo para te contar
Sinto que a vida passa a voar
Como se fossem estrelas a brilhar…

 

…Tons de Amor…

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Visto o corpo
Carregado de pensamentos
Em tons acinzentados,
Pesados como tormentos
Que prendem os movimentos
Deixando o pulsar dormente
Enquanto o olhar se refugia
Carente,
Hibernado em lágrimas
E só enxuga a angústia
Quando sente as tuas mãos
A despir esta pele do meu corpo
E a reveste com uma nova cor
Em tons de amor.

Enquanto somos vida…

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Enquanto aguardo ver-te chegar
Soletro o tempo para que passe devagar
Vejo o dia a caminhar para o mar
Como se lá se fosse aconchegar.

Enquanto aguardo ver-te chegar
Vou tecendo abraços para te dar
Guardo uma réstia de sol no olhar
Para que sintas o dia sem ele findar.

Parece que tudo avança em segredo
As flores escondem-se e deixam de florir
O vento acelera o passo e decide partir
As portas fecham o dia para este dormir.

Soa no meu rosto a dor de não te encontrar
Sei que a saudade não te faz voltar
Quase levaste o meu coração para esse lugar
Mas a vida ainda me chama para continuar.

Um dia vou ver-te chegar…

 

…Talvez se viva assim…

 

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Perdi sonhos
Encontrei caminhos
Escolhi sentidos
Destinos descomprometidos
Que me levaram a fazer amigos
Inventei lugares
Entre fases de luares
Chorei mágoas
Vivi difíceis despedidas
Costurei feridas
Plantei flores
Alimentei amores
Recomecei sempre que errei
Escrevi palavras que criei
Tremo a cada respirar
Amadureço por tanto te amar
Empresta-me um pouco de ti
Guardarei no melhor de mim
…Talvez a vida se viva assim…

Para amar

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Se eu soubesse da tua visita
Tinha pedido ao sol para brilhar
Às flores para desabrochar
E em vez do meu vestido de chita
Cobria-me com a tua cor favorita.

Se eu soubesse da tua chegada
Tinha escondido o rosto da saudade
Para que me pudesses ver de verdade
E em vez de a casa estar vazia e fechada
Ousaria estar iluminada e perfumada.

Ainda assim, queria que soubesses
Que o meu olhar não para de brilhar
O coração atropela-se para te abraçar
Feliz por teres voltado ao lugar
Onde um dia o amor nasceu para amar.

No voo da solidão

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É como se fosse um voo
Que atravessa o caminho
Arrastando uma mágoa
Que cria pouso no coração
De tão sozinho,
Sem ninguém por perto
Acolhe de peito aberto
Este passageiro,
Estende-lhe a sua mão
Que traz na bagagem a ilusão
De ser prestável companheiro
Mas viaja sem rosto,
Deixando um rasto de escuridão
Onde já nada parece existir
Se não o sentir da solidão.