Para amar

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Se eu soubesse da tua visita
Tinha pedido ao sol para brilhar
Às flores para desabrochar
E em vez do meu vestido de chita
Cobria-me com a tua cor favorita.

Se eu soubesse da tua chegada
Tinha escondido o rosto da saudade
Para que me pudesses ver de verdade
E em vez de a casa estar vazia e fechada
Ousaria estar iluminada e perfumada.

Ainda assim, queria que soubesses
Que o meu olhar não para de brilhar
O coração atropela-se para te abraçar
Feliz por teres voltado ao lugar
Onde um dia o amor nasceu para amar.

No voo da solidão

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É como se fosse um voo
Que atravessa o caminho
Arrastando uma mágoa
Que cria pouso no coração
De tão sozinho,
Sem ninguém por perto
Acolhe de peito aberto
Este passageiro,
Estende-lhe a sua mão
Que traz na bagagem a ilusão
De ser prestável companheiro
Mas viaja sem rosto,
Deixando um rasto de escuridão
Onde já nada parece existir
Se não o sentir da solidão.

 

…Sou Mãe…

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Dispo a pele da minha pele
Para agasalhar o teu crescer
Na luz do meu ventre
Que te viu nascer
Dou vida à corrente
Que une o meu ao teu ser.

Cubro-te de amor
Com os olhos postos no teu olhar
Coração que bate nas minhas mãos
Que pulsa do peito para te abraçar
Feliz por sentir a tua felicidade
O voo da tua liberdade.

Neste constante aprender
Junto o meu ao teu saber
Ajudo-te a alimentar os sonhos
A rasgar o caminho
Que um dia seguirás sozinho
Serei sempre abrigo para te acolher.
…Sou Mãe

No nosso tempo…

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Interrompo o tempo
Cada vez que fecho os olhos
E abro o corredor da memória
Onde guardo a simetria
Dos dias e dos anos
Que cobrem a nossa história.
O tempo não para de correr
Em sintonia com a vontade
De conjugar a felicidade
No estender das palavras
Que continuamos a escrever
No nosso tempo…

Não sei o que dizer…

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Não sei o que dizer
Tão pouco o que sentir
Se não a vontade de despir
O peso entranhado
Nos ossos
Neste corpo pesado
Onde já nada cabe
Se não a dor da saudade.
Difícil carregar o lugar
Que alberga o despertar
E sustenta o repousar
Das fragilidades da realidade.
O coração
De tão dorido
Sente-se triste e empobrecido
Ainda assim,
Ajeita-se no seu modo de ser
Vagueia,
Mas não se dá por vencido
Recorda a tua força de viver
Ordena a desordem
Nas emoções de te ter perdido
E num fechar de olhos
Abro um sorriso
A todos os teus sorrisos…

 

Quero ser habitada…

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Fiz de ti
A minha morada
Quero ser habitada…

A casa pode ser recatada
Caiada,
À beira mar plantada
Talvez,
Uma flor à entrada
Uma borboleta pousada
E um bando de passarada!
Uma casa iluminada
Entre sonhos
Debruada…

É para mim
A morada
Onde vou ser amada…

 

O que vês?

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Olha para mim
O que vês?

Um pedaço de céu
Num dia encoberto
Outro de sorriso aberto
Que nasce na claridade
Certa de querer voar alto
Desprender-me do véu
Amadurecer o pensamento
Tecer um sopro de felicidade
E espalha-lo com o vento.

Olha para mim
O que vês?

Um braço de mar
Num navegar destemido
Para a bom porto chegar
Mergulhar na profundidade
Na transparência da verdade
Libertar o olhar no horizonte
Deixa-lo ir nas marés
Na força das águas
Que moldam o sentido.

Olha para mim
O que vês?

Um pouco da terra
Que a terra me oferece
Raiz presa à vida
Dia a dia que amadurece
Semente que baila no ar
Palavras que guardo
Colhidas entre cada soletrar
Sou asa que poiso
Onde houver amor para amar.

Olha para mim…

Para sempre…

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É quando o dia se entrega
Ao silêncio da noite
Que se desmorona a fortaleza
Cai o escudo
Que protege a fraqueza
Abre-se a ferida
Que não cicatriza
Não esquece a tua partida.
Não fiques triste
Com a minha tristeza
Ainda estou a aprender
A olhar-te sem te ver
A falar sem te ouvir
A sorrir para o teu sorriso
Sempre à procura do sentido
De um sopro que acomode
A dor do acontecido.
A cada amanhecer
Se ergue uma muralha
Visto-me para a batalha
Invento-me,
Até um dia conseguir despir
Este sentimento
E abrir o meu coração
A todos os nossos momentos…

Hoje e sempre,
Meu querido irmão

Entre as marés…

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Vamos ver o vento passar
E as marés a chegar
Embalamos as horas
Distraímos o tempo
Nesse vagar
Olhamos o longe
Despimos o olhar
Encontramos o mar
Deixamos os corpos
Entre as águas balançar
Até ao momento de atracar
E o nosso amor
Em terra firme
Nos libertar.