Prometo…

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Prometo silenciar
A voz que trago em mim
Adiar as palavras
Atravessar o tempo
Ousar tocar-te com o olhar
Ir no teu horizonte
Para na tua pele repousar.
Deixar-me ir
Com o sol até ao luar
No aconchego encontrar
A linha de um poema
Onde possa escrever
O tanto que tenho
Para te dizer
Prometo…

Será Amor?

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O dia nasce para o dia
Os poemas para a poesia
Num bater de asas
Borboletas coloridas
Germinam vida entre vidas
Na terra que alimenta a terra
No amadurecer da paixão
E no colher de frutos maduros
Entre sorrisos singelos e puros
Que quando se encontram
Incendeiam o olhar
Esvoaçam palavras
Que ao coração vão parar
E deixam na pele
A fragrância dos corpos
O pousar dos gestos
Que nos faz voar.
Será amor?

 

Porquê?

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A dor que me veste o peito
E o desgosto tatuado no rosto
São retrato de um coração desfeito
Cravado de agonia
Transbordando de angústia
Tanto de noite como de dia.

Ausentaram-se as palavras
Para costurar a ferida
Que sangra pela partida
De uma vida interrompida
Onde o manto de tristeza
Cobre e sufoca a leveza.

Os gestos perdem o sentido
O corpo vagueia mudo e perdido
A saudade rasga-me a pele
Enquanto o olhar repousa
No silêncio da solidão
E pergunta, porquê?

Entrelaçados

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Quero que habites
Todos os pontos onde moro
Quero ser a pele
Do teu caminho
O pouso entre os teus voos
Cobrir as nuvens
Enquanto o céu se abre
Voar entrelaçada nas tuas asas
Tecer a liberdade
E voltar ao ninho
Para alimentar a vontade
De viver o amor
Vesti-lo com a idade
Aprender a envelhecer
Lado a lado
Sentir o teu olhar
Na minha pele enrugada
Feliz de tanto ser amada.

Estendo-te as minhas mãos

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Estendo-te as minhas mãos
O espelhar do meu olhar
O tato do meu retrato
Onde guardo as palavras
Que não sei pronunciar.
Albergo segredos
Histórias e memórias
Traços de identidade
Mãos que alimentam a paixão
Traduzem os gestos
Vividos pelo coração.

Estendo-te as minhas mãos
Acariciadas pela idade
Vinco de personalidade
Cor da minha pele.
Porto de abrigo
Aconchego e sorriso
Mãos que costuram feridas
Construem laços
Fortificam abraços
Vestem-se de cumplicidade
Partilham felicidade.

Estendo-te as minhas mãos
Que dizem o que sentem
Não mentem,
Mãos que choram a dor
Mãos que vivem de amor.

Entrego-me…

jade-304361… Rasgo o céu aberto
Desenho nele um lugar,
Onde as nossas mãos
Se poderão tocar…

 

Entrego-me como sou
Aos sentidos que brotam
E fintam a aparência
Onde floresce a raiz da essência
A fertilidade da alma
Que me conduz
Aos múltiplos lugares
Que habitam dentro de mim.

Sinto-me presa
Sem me prender a nada
São tantos os caminhos
Que não me recordo
Se já escolhi algum
Ou se, entretanto, me perdi
Sem habitar nenhum.

Ainda tenho em mim as asas
Para o voo que traçamos juntos
O meu olhar ainda caminha
Para se cruzar com o teu.
Partiste sem mesmo chegar
Talvez o amor seja assim,
Tenha que ser livre e voar
Para depois se voltar a encontrar.

Espero por ti

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…Lembro-me de tudo em ti
Nem a tua ausência
Eu esqueci…

Vou despindo os sonhos
E riscando as palavras
No rasgar dos dias
Para enganar a saudade
E a ausência dos gestos
Que contigo trazias
E comigo repartias.

Tento fintar a monotonia
Travar a inquietude da espera
Cortar a distância em pedaços
Dar descanso ao corpo cansado
De tanto tempo estar sentado
Num canto escuro e desabitado
Talhado e tecido para ser amado.

Enquanto aguardo a tua chegada
Desnudo o desejo da minha pele
Sinto-te pulsar dentro de mim
Como uma chama a fervilhar
Desconheço o princípio e o fim
Acordaste todos os meus sentidos
Algures adormecidos, quase perdidos.

Desencontro

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Choro a dor da tua partida
Não sei lidar com a despedida
A sombra que a tua ausência deixa em mim
É difícil aceitar que o amor chegou ao fim.

Leio-te em cada palavra que escrevo
Encontro-te em cada lugar que vou
Recordo com saudade o que nos juntou
Procuro entender o que nos afastou.

Será que não vivemos o mesmo amor?
Será que o tempo não é igual para os dois?
Será que deixamos de brilhar?
O que restará de nós, depois?

Tenho ainda tanto para te dizer
Guardarei no vazio do meu coração
Preciso aconchegar o espaço ferido
Pelo desencontro da nossa união.