Entre as marés…

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Vamos ver o vento passar
E as marés a chegar
Embalamos as horas
Distraímos o tempo
Nesse vagar
Olhamos o longe
Despimos o olhar
Encontramos o mar
Deixamos os corpos
Entre as águas balançar
Até ao momento de atracar
E o nosso amor
Em terra firme
Nos libertar.

 

Quero ser um poema

 

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Hoje
Queria ser
A poesia do teu dia
O corpo do teu poema
Os gestos das tuas palavras
O silêncio do teu pensamento
A conjugação do teu verbo
A invenção da tua criação
Só por um momento
Dá-me asas e voarei
Até dentro de ti
… Quero ser um poema…

Não sei se volto…

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Leva-me para dentro do teu abraço
Quero marcar viagem
Em cada estação do teu corpo
Aconchegar-me na tua pele
Acomodar-me no teu regaço
Seguir caminho,
Até encontrar o lugar para abrigar
O amor que transporto.
Quando lá chegar
Já não sei se volto…

Saberás de mim…

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Saberás de mim
A cada acordar
Em que me cubro de silêncio
E deixo o canto dos pássaros
Sobrevoar o meu espaço
Oiço sons de diferentes tons
Deixo-me envolver na melodia
Neste voo de emoções
Até que perco o sentido
Aterro no teu corpo
Num despertar de sensações.

 

Prometo…

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Prometo silenciar
A voz que trago em mim
Adiar as palavras
Atravessar o tempo
Ousar tocar-te com o olhar
Ir no teu horizonte
Para na tua pele repousar.
Deixar-me ir
Com o sol até ao luar
No aconchego encontrar
A linha de um poema
Onde possa escrever
O tanto que tenho
Para te dizer
Prometo…

Será Amor?

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O dia nasce para o dia
Os poemas para a poesia
Num bater de asas
Borboletas coloridas
Germinam vida entre vidas
Na terra que alimenta a terra
No amadurecer da paixão
E no colher de frutos maduros
Entre sorrisos singelos e puros
Que quando se encontram
Incendeiam o olhar
Esvoaçam palavras
Que ao coração vão parar
E deixam na pele
A fragrância dos corpos
O pousar dos gestos
Que nos faz voar.
Será amor?

 

Porquê?

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A dor que me veste o peito
E o desgosto tatuado no rosto
São retrato de um coração desfeito
Cravado de agonia
Transbordando de angústia
Tanto de noite como de dia.

Ausentaram-se as palavras
Para costurar a ferida
Que sangra pela partida
De uma vida interrompida
Onde o manto de tristeza
Cobre e sufoca a leveza.

Os gestos perdem o sentido
O corpo vagueia mudo e perdido
A saudade rasga-me a pele
Enquanto o olhar repousa
No silêncio da solidão
E pergunta, porquê?

Entrelaçados

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Quero que habites
Todos os pontos onde moro
Quero ser a pele
Do teu caminho
O pouso entre os teus voos
Cobrir as nuvens
Enquanto o céu se abre
Voar entrelaçada nas tuas asas
Tecer a liberdade
E voltar ao ninho
Para alimentar a vontade
De viver o amor
Vesti-lo com a idade
Aprender a envelhecer
Lado a lado
Sentir o teu olhar
Na minha pele enrugada
Feliz de tanto ser amada.

Estendo-te as minhas mãos

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Estendo-te as minhas mãos
O espelhar do meu olhar
O tato do meu retrato
Onde guardo as palavras
Que não sei pronunciar.
Albergo segredos
Histórias e memórias
Traços de identidade
Mãos que alimentam a paixão
Traduzem os gestos
Vividos pelo coração.

Estendo-te as minhas mãos
Acariciadas pela idade
Vinco de personalidade
Cor da minha pele.
Porto de abrigo
Aconchego e sorriso
Mãos que costuram feridas
Construem laços
Fortificam abraços
Vestem-se de cumplicidade
Partilham felicidade.

Estendo-te as minhas mãos
Que dizem o que sentem
Não mentem,
Mãos que choram a dor
Mãos que vivem de amor.