…O que trago em mim…

Se hoje escrevesse um poema

Escolheria palavras leves

Transparentes e coloridas

Como a alma do autor,

Um poeta madrugador

Vestido de vontade

Conjugando o olhar e o sentir

Expondo-se entre rimas e versos

Com o tempo que deixa fluir…

Nem sempre sei o que trago em mim

Se hoje escrevesse um poema

Começaria certamente assim…

Singularidades …

Debruçada na vida

Neste espelho singular

Que me traz memórias vividas

Recordo palavras ditas ao luar

Desarmadas,

Em madrugadas jamais esquecidas.

Neste conjugar de pensamentos

Transporto algumas rugas na idade

Mas não faço do passado saudade

Darei ao tempo o que é do tempo

E aos meus dias contarei histórias

Que fazem a vida sorrir

Esticando o caminho de existir.

…Era um poema…

Chegou como se viesse do Norte

Dentro da minha imaginação

Vinha bem apresentado e de caracter forte,

Nada fazia prever

Que as palavras que o faziam mover

Eram aquelas que eu gostava de ler.

Senti um trago a paixão

Um silêncio que mostrava o bater do coração.

Segui-lhe os passos

Com os meus sentidos um pouco perdidos

Pousados sob as rimas e os versos que entoava,

Vi o amanhecer dar lugar ao entardecer

Era um viajante com tempo no rosto

Sem pressa de recolher

Era um poema

Como eu gostava de ser!

Queria que soubesses…

Queria que soubesses

Que o pouso das minhas palavras

É um aconchego de sentimentos

Um esvoaçar de momentos

Um costurar de tempo

Voos de imaginação

Caminhos de liberdade

Um espreguiçar de vontade

Um alimentar de sonhos

Reencontro de lembranças

É esse quebrar de céu

Que me deixa voar

Sem ter asas…

            Queria que soubesses

Identidade

Conheço-me

De perto

Tal como sou

Entrego-me

De coração aberto

Sei o que dou,

Habito

Dentro e fora de mim

Traço novos caminhos

Mas sei de onde vim,

Colho na madrugada

Essência que se dissolve assim

Entre o silêncio do corpo

E a inocência das palavras

Cúmplices até ao fim.

…Entre poemas…

Constantemente inconstante

Da poesia amante

Desfio as palavras

E com elas teço uma história

Entre olhares,

Onde perdura a memória

De diálogos que imaginei

Poemas que inventei

Todos pulsam no coração

Imaginados ou retratados

Ilustram a minha imaginação.

Tudo se inventa,

Constantemente se cria

Sou variável inconstante

Entre os versos e as rimas

Que me fazem companhia…

Não sei como te dizer…

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Não saberei como te dizer
Que o olhar que vês nos meus olhos
São lembranças
Que caem aos molhos
No corpo vestido de saudade
Pelo tempo que costurava as horas
Sem as transportar a todo o vapor
E o olhar respirava a fragrância do dia
Até lhe sentir o sabor.

Não sei bem como te dizer…

A palavra das palavras

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As palavras saem pela noite
Respiram silenciosamente
Como se fossem declamar um poema,
O céu abre-se para as acolher
As estrelas cintilam em constelação
E a lua cresce ao deixar-se levar pela tentação
De ouvir as conversas que surgem na escuridão.
Sem ninguém saber
Todas as noites as palavras se reúnem
Receosas de perder o conteúdo
De ficarem vazias e a memória morrer.
Respiram saudosamente
O tempo que não precisavam de se recolher.

 

Entre palavras…

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As palavras consomem-me todos os sentidos, até as sílabas rodopiam no corpo deixando marcas difíceis de apagar.
Sinto os passos dos versos que escrevo como se pousassem em cima dos poemas que me alimentam as insónias.
Ouço a vontade de esvaziar o tempo com o silêncio que ocupa os meus silêncios.
Amanheço todos os dias em que soletro o alfabeto que habita no meu coração.
É este momento que completa todos os momentos que verdadeiramente transmitem a emoção das minhas emoções.
Escrevo o que sinto sem saber se já disse alguma palavra hoje…