
Despem-se os sentidos
No seio das palavras
Entre os poetas
Que se encontram perdidos
À procura de um poema
Onde repousar a sua nudez
Serão sonhos?
Talvez…

Despem-se os sentidos
No seio das palavras
Entre os poetas
Que se encontram perdidos
À procura de um poema
Onde repousar a sua nudez
Serão sonhos?
Talvez…

As palavras apareceram por acaso
Encontramo-nos no mesmo olhar
Sem nada interrogar,
Conversamos sem o tempo contar
Cúmplices na linguagem
Na tranquilidade da viagem
Que nos levou ao mesmo lugar.
As palavras apareceram por acaso
Desafiando as horas do dia
Entramos no mesmo divagar
Despindo no silêncio a ousadia
A linha que conjuga o pensamento
E derrama no corpo o movimento
A vontade de viajar na poesia.

Em silêncio
Escutei a solidão
O lamurio das palavras
Fechadas na gaveta
Letra após letra
Dispersas na imensidão
Inquietas e com medo
De perder o abrigo
O sentido da imaginação.
Tenho um espaço aberto
Que acolhe sensações
Onde visto de cor as letras
Dou asas às emoções
Esvoaço como borboleta
Embalo-me nas palavras
Que tiro da minha gaveta
Sem medo
Que a poesia me comprometa.

Rasgo o vento
Com as palavras
Que levo no pensamento
Com o silêncio
Que trago na voz
Vou tecendo a vontade
De ajustar o ser ao crer
Dando tempo ao tempo
Abrindo a cortina
E no aconchego do corpo
Entrego a alma
À poesia.
… Sente as palavras como pétalas aveludadas
Embebe-as em ousadia,
Entrega-se à arte
De as acomodar em poesia.
É quando fecho os olhos
Que sinto as palavras
Escritas no teu olhar.
Poeta,
Que despertas o meu silêncio
Derramas em mim
A fragrância da tua rima
E ao meu corpo vens buscar
A substância da tua poesia.
Encanta-me
Esse teu encantado mundo
Que por vezes desconheço
Mas é tão doce
Tão vivo,
Apenas o quero habitar.

Aprumo as letras
Que o coração vai sussurrando
Até formar palavras
Que vão desabrochando
Construindo sentido,
Dimensão
Até passarem de mão em mão
E voltarem
Ao coração.

Era um dia igual a tantos outros
Pela frente o caminho
Que tantas vezes percorri
De mãos dadas com a vida
Mas só hoje me apercebi
Da cumplicidade entre as folhas
Que cobrem o chão
E o desabrochar das flores
Que pintam a terra de cores
Numa simbiose de amizade
Onde os ventos espalham
Fragrância de liberdade!
Tal como a natureza
Que se veste de beleza
Também eu me entrego à nudez
De um corpo coberto de sonhos
E comigo levo a leveza
Das escolhas que escolhi
De braços abertos para a vida
Num sopro de simplicidade
Cruzo o olhar com os caminhos
E numa ingénua cumplicidade
Roubo às palavras a ousadia
De ir espalhando poesia!

…… O oficio das palavras
A arte de criar em liberdade
Faz do poeta um ator
Dá alma às palavras
Que escreve com fervor
É um inspirador!
Representa as palavras
Encenadas em peças de poesia
Umas ditas outras escritas
Tecidas em perfeita harmonia.
O oficio das palavras
A arte que não se aprende
Não se compra nem se vende
É fascinante e surpreende.
Não sou escritora
Nem tão pouco autora
De histórias e de contos
Sou apenas sonhadora!
……Gosto de dar vida às letras
De as ver a atuar em sintonia
Não tenho guião
Mas saem do meu coração
Ecoam a minha melodia.