A palavra das palavras

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As palavras saem pela noite
Respiram silenciosamente
Como se fossem declamar um poema,
O céu abre-se para as acolher
As estrelas cintilam em constelação
E a lua cresce ao deixar-se levar pela tentação
De ouvir as conversas que surgem na escuridão.
Sem ninguém saber
Todas as noites as palavras se reúnem
Receosas de perder o conteúdo
De ficarem vazias e a memória morrer.
Respiram saudosamente
O tempo que não precisavam de se recolher.

 

Entre palavras…

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As palavras consomem-me todos os sentidos, até as sílabas rodopiam no corpo deixando marcas difíceis de apagar.
Sinto os passos dos versos que escrevo como se pousassem em cima dos poemas que me alimentam as insónias.
Ouço a vontade de esvaziar o tempo com o silêncio que ocupa os meus silêncios.
Amanheço todos os dias em que soletro o alfabeto que habita no meu coração.
É este momento que completa todos os momentos que verdadeiramente transmitem a emoção das minhas emoções.
Escrevo o que sinto sem saber se já disse alguma palavra hoje…

 

Como um livro de poesia

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O corpo ainda se enrosca a dormitar
Já as palavras começam a pestanejar,
Cúmplices com a vontade de despertar
O olhar que se vai estender a outros olhares,
Escutando o silêncio
Com que a vida vem beijar
O dia que se inicia…

…Por entre as mãos voam segredos
Que o tempo molda e acaricia,
E o dia abre-se à vida
Como um livro de poesia.

Entre fragrâncias…

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Toca-me,
Como se tocasses a fragrância da madrugada
Sob a nudez da minha pele entornada
Por entre as linhas do meu corpo espalhada
Como se fosse poesia declamada
Por entre as tuas mãos dedilhada
Sinto-me,
O sentido da palavra
Inteiramente perfumada!

Que posso eu ser?

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Estranho
Esta estranheza
Que carrego sobre os ombros
Doridos,
Deixam tombar os desejos
Jã não sustentam a brisa
Que abre a beleza do dia.
De nada me servem as palavras
Que outrora me moviam
Comigo permaneciam
E sempre me comoviam.
Quisera eu ser poeta
Construir um mundo
Onde tudo cabia.
Certa
Desta certeza
Dediquei-me à poesia,
Agora,
Presente neste mundo
Ausente de palavras
Que posso eu ser?

Por acaso…

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As palavras apareceram por acaso
Encontramo-nos no mesmo olhar
Sem nada interrogar,
Conversamos sem o tempo contar
Cúmplices na linguagem
Na tranquilidade da viagem
Que nos levou ao mesmo lugar.

As palavras apareceram por acaso
Desafiando as horas do dia
Entramos no mesmo divagar
Despindo no silêncio a ousadia
A linha que conjuga o pensamento
E derrama no corpo o movimento
A vontade de viajar na poesia.