Não sei o que dizer
na ausência das palavras
resta apenas o silêncio
o silêncio da poesia…
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Divagando

Poesia…
Que trago de dentro para fora
que se ramifica em todas as minhas divisões
pousa em todas as frestas
cobre muitos dos meus silêncios
respira no bater das minhas emoções.
Não sei se a levarei quando for embora
talvez também não seja preciso,
será porta que se fecha
ou será abrigo para um sorriso
no interior de muitos corações?
…Poesia
Metáfora

Queria tanto conversar
que pus as palavras a falar
pousaram no meu olhar
ofereceram metáforas à minha voz
e assim ficamos
partilhando ilusões
guardando segredos entre nós.
Senti-as com vagar
mostrando uma expressão singular
são palavras
silêncios sós
pensamentos que apesar de começados
nunca terão voz para serem acabados.
Às palavras que por vezes não são ditas
serão em poemas escritas
terão um caminho assim
para que nunca tenham fim…
…Entre as minhas mãos…

Estendo as minhas mãos
pudesse eu desfolhar o mundo
cruzar o tempo neste caminho profundo
olhar o mar no horizonte sem fundo.
Embalo os meus sonhos
sem me deixar cair no adormecer
a vida ensina-me a ganhar e a perder
soubesse eu sempre acatar este entender.
Entrego palavras à poesia
como se fossem flores a brotar num jardim
o encanto dos poetas é terra que não tem fim
soubesse eu colher o poema certo para mim.
Amanhecer com poesia
Somos Palavras

Dizem que as palavras não têm tempo,
mas estão em constante movimento,
plenas de intensidade.
Encurtam a distância e medem a verdade,
escutam as conversas,
palavras entre palavras.
Traçam um caminho de cumplicidade,
deixando um rasto na memória,
conjugam-se entre o sonho e a realidade.
Hoje somos palavras,
ditas ou escritas.
Mais adiante somos
palavras recordadas ou apagadas…
…O que trago em mim…

Se hoje escrevesse um poema,
escolheria palavras leves,
transparentes e coloridas,
como a alma do autor.
Um poeta madrugador,
vestido de vontade,
conjugando o olhar e o sentir,
expondo-se entre rimas e versos,
com o tempo que deixa fluir…
Nem sempre sei o que trago em mim.
Se hoje escrevesse um poema,
começaria certamente assim…
…Era um poema…

Chegou como se viesse do Norte,
dentro da minha imaginação.
Vinha bem apresentado e de caráter forte,
nada fazia prever
que as palavras que o faziam mover
eram aquelas que eu gostava de ler.
Senti um trago de paixão,
um silêncio que mostrava o bater do coração.
Segui-lhe os passos,
com os meus sentidos um pouco perdidos,
pousados sob as rimas e os versos que entoava.
Vi o amanhecer dar lugar ao entardecer.
Era um viajante com tempo no rosto,
sem pressa de recolher.
Era um poema
como eu gostava de ser!
Queria que soubesses…

Queria que soubesses
que o pouso das minhas palavras
é um aconchego de sentimentos
um esvoaçar de momentos
um costurar de tempo
voos de imaginação
caminhos de liberdade
um espreguiçar de vontade
um alimentar de sonhos
reencontro de lembranças.
É esse quebrar de céu
que me deixa voar
sem ter asas…
Queria que soubesses.
…Entre poemas…

Constantemente inconstante,
da poesia amante,
desfio as palavras
e com elas teço uma história
entre olhares,
onde perdura a memória
de diálogos que imaginei,
poemas que inventei.
Todos pulsam no coração,
imaginados ou retratados,
ilustram a minha imaginação.
Tudo se inventa,
constantemente se cria.
Sou variável inconstante
entre os versos e as rimas
que me fazem companhia…

