No aconchego primaveril
Num voo de liberdade
Esvoaça o pensamento
E assim pousa Abril,
Adocicando a vontade
De ver os dias a crescer
E escutando na quietude do olhar
O silêncio das palavras
Que se prendem nos poemas
Desfolhados ao luar.

Querida Primavera,
Queria que soubesses
Que o inverno já se recolheu
E os dias trocaram de cor
Até as horas se despiram do frio
E o ar emana uma nova fragrância
Sentimos a beleza da tua elegância
E neste despertar de sentidos
Rendidos estamos à tua espera
Minha doce e alegre Primavera.
Sente-te abraçada
Nesta tua chegada

Nesta viagem do tempo
Fugaz e a alta velocidade
O corpo embarca a todo o vapor
Sem colher dos dias o sabor
De paragem em paragem
Sem deixar a pele respirar
Tamanho é o ritmo do caminho
Que cada olhar segue mudo e sozinho
Levando na bagagem
A saudade de encurtar a distância
E deixar para trás os passos apressados
Os sorrisos fechados,
E de devolver aos dias a importância
De viver estação a estação
Com um bilhete de felicidade…

E com o ar leve e perfumado
Assim chega março
Confiante e despreocupado.
Traz o aroma da primavera
O cheiro a terra lavrada
Rebento de vida que irá ser plantado
Amor que brota no pousar dos dias
Março soma afetos e alegrias,
Soa a poemas, poetas e poesias
Manhãs despertas e tardes vadias
Olhar que se estende iluminado
Em cada rosto de mulher, ser amado
Assim se abrem as portas para a tua chegada
Que o vento suavize a tua caminhada…

Hoje vou deixar as palavras sossegar
O que tenho para te dizer
Está simplesmente a acontecer…
No dia que anoitece
No céu estrelado que brilha sossegado
Na manhã que amanhece
Na flor que floresce
No sorriso que simplesmente aparece
Ou no olhar acordado
Que por ti estremece
E deixa no corpo calado
O desejo de ser amado
Sem palavras…

Com os pés a sentir a terra
Sonhava que conversava com a lua
Entre a distância do meu olhar
Incendiava-se uma claridade nua
Crescente,
Um brilho que não deixava de brilhar
E o meu coração sorria
Com palavras doces se abria
Tantos eram os segredos para lhe contar
Encontrava-me na fase da confidência,
Quando de repente,
Sinto a noite acordar para o dia
E a terra a continuar a sua vivência…