
Não sei se parei de subir
Ou se os degraus deixaram de existir
Não sei se começo devagar
E me perco antes de chegar
Não sei se a voz que fala e avança
É a mesma que cala a mudança.

Não sei se são viagens
Estes percursos que faço
Ou se são paragens
Momentos que desfaço
Ao tricotar pensamentos,
Criando, por vezes, um emaranhado de fios
Que se fixam na memória
Numa teia que bloqueia
Não só a passagem da luz
Como afastam o silêncio
Esse ponto que nos conduz
Vivos pela vida.
Não sei se são viagens que faço
Por todos os momentos que passo,
Mas neste costurar de pensamentos
Há sempre fios que se soltam
Talvez sejam atalhos
A unir a razão e a emoção
Ou simplesmente pontos de abrigo
Para albergar o coração.

Persegue-me este meu jeito
Que se esconde e se mostra
Sorri sem preconceito
Respeitando este meu modo de ser
Imperfeito mais que perfeito
Que segue sempre comigo
Inteiro,
Desde o amanhecer até ao entardecer.
E no espaço que sobra em mim
Escuto e escrevo silêncios
Que me saem do peito
E assim toco na vida
Inspiro a felicidade para dentro de mim
Vestida com este meu jeito
…Este meu jeito de ser, Mulher…
Comemorando-se hoje o dia Internacional da Mulher, senti vontade de voltar a partilhar este poema e aproveitar para desejar a todas as mulheres um dia feliz.