Silhueta de domingo

Silhueta de domingo
embalada pelo mar,
o meu olhar naufraga
nos teus passos asseados
quando te vejo passar…

Não há sombra no teu caminho,
trazes luz
que se estende ao horizonte
até o sol parece brilhar mais.

Só eu, neste silêncio ondulado
onde permaneço afundado,
querendo um dia ser cais
de todos os teus domingos…

Na tua ausência

Pelo tempo que se faz sentir
quero que saibas
que na tua ausência
não há sol,
as manhãs nascem viúvas
enterradas em solidão.

As palavras são escassas,
e as tardes escondem-se nas chuvas
nas horas que trazem a escuridão.

Quero que saibas
que a tua presença
traz aos dias a diferença
do tempo que se faz sentir…

Amanheceu o outono

Amanheceu o outono
a manhã ainda se espreguiça
e as nuvens parecem ter adormecido.

O dia caminha a passo lento
talvez até um pouco abatido,
mas contrariando a direção,
o outono chega firme e decidido.

No olhar dos nossos olhos
há pressa na paisagem,
parece haver um breve abandono,
as folhas vão caindo,
deixando as árvores despidas,
as conversas viram de página
ganhando um novo sentido.

A estação entra num novo horizonte,
a vida segue vida,
ao encontro da outra margem…

Queria apenas ser vento…

Da minha janela vi um vento que desconhecia
não sei se chegava ou partia,
voava alto,
arranhava o céu
rodopiava certo dos movimentos que fazia,
mostrava leveza e sabedoria,
arrastava uma aragem bem arrumada.

A minha janela ganhou outra dimensão,
a casa ficou mais iluminada,
senti que o meu olhar já não me pertencia
e o corpo caminhava em outra direção,
despindo a preocupação,
empurrando o pensamento
para viajar nas asas deste vento.

É dia de festejar!

Olá, julho,

O dia ainda amanhece…

Não sei se sentes o meu sentir, não sei se vês no meu olhar a vontade de te receber e não te deixar ir embora sem antes festejar contigo. Esvoaçamos juntos para completar mais um voo e somar à idade que tenho, a idade que trazes para me oferecer. Que bonito presente!

A vida é um regaço de emoções… É colo que acolhe e é asa que faz esvoaçar.

Sinto-me grata pela tua visita, pela nossa cumplicidade e por este presente… o meu quadragésimo nono aniversário.

Obrigada, julho!

Ceifar a saudade

Os dias vão passando,
o corpo passeando,
mas o amor reclama a distância…

Os passos que trazem o teu olhar
até ao meu, cansado de esperar,
pelos beijos que em mim semeias
e pelos gestos que me dilatam as veias,
sempre que ceifamos a saudade
entre os dias que vão passando
e o amor que vamos debulhando…