
Quando o olhar encontra a luz,
a alma cicatriza,
o coração desprende-se do abandono
alugado pelo corpo,
as palavras voltam a respirar
e, no avesso do tempo,
o olhar ganha vida noutro lugar.

Da minha janela vi um vento que desconhecia
não sei se chegava ou partia,
voava alto,
arranhava o céu
rodopiava certo dos movimentos que fazia,
mostrava leveza e sabedoria,
arrastava uma aragem bem arrumada.
A minha janela ganhou outra dimensão,
a casa ficou mais iluminada,
senti que o meu olhar já não me pertencia
e o corpo caminhava em outra direção,
despindo a preocupação,
empurrando o pensamento
para viajar nas asas deste vento.

Olá, julho,
O dia ainda amanhece…
Não sei se sentes o meu sentir, não sei se vês no meu olhar a vontade de te receber e não te deixar ir embora sem antes festejar contigo. Esvoaçamos juntos para completar mais um voo e somar à idade que tenho, a idade que trazes para me oferecer. Que bonito presente!
A vida é um regaço de emoções… É colo que acolhe e é asa que faz esvoaçar.
Sinto-me grata pela tua visita, pela nossa cumplicidade e por este presente… o meu quadragésimo nono aniversário.
Obrigada, julho!

Decidi escrever para pincelar o dia
está um pouco tímido, sem alegria.
As palavras já aguardam o seu lugar,
não querem perder este adjetivar.
Vestem-se de cor, confiantes ao seu jeito
trazem versos e rimas, trajam a preceito.
O dia continua agasalhado de solidão,
as palavras querem ser poema no seu coração.
Um poema nasceu
e o dia agradeceu
a luz que este lhe deu…

É outra vez verão!
Esses dias que caminham longos,
abastecem o corpo de luz,
abrem a porta do coração
de onde saem as palavras
sedentas de se desnudarem
nas marés,
nessa força de ir mais além,
no encontro de vida
onde o amor se deixa ir também…
É outra vez verão!
Esses dias que caminham longos,
leves, carregados de emoção!

Sempre que me ouvires falar
as minhas mãos estarão abertas
estendidas às palavras,
porque nem sempre sei dizer
o que está dentro de mim
e muitas vezes sinto o olhar a calar,
o fervilhar das emoções,
a nudez que me veste a pele
letra a letra,
a embriaguez dos sentidos
acentua-se nas sílabas
e prende o meu desabrochar,
sempre que me ouço falar…