
Nem sempre há luz
mas nem tudo é escuridão
há sempre uma linha
a estender o tempo
a enraizar a vida
e, ainda que o silêncio
soe a solidão,
há sempre um gesto
que nos faz voltar ao caminho
e nos despe a pele da desilusão.

Movido pela liberdade,
o amanhecer rodopiou
depressa o sol despertou
e mapeou todos os sentidos
como se fosse um guardião do dia,
iluminou todas as sombras
e deu voz aos olhares que se abrem,
às conversas dos pássaros
à dança das flores
ao acenar das palavras
ao desfolhar de pensamentos
ao voar e pousar
às escolhas de cada caminhar
no dia a dia de cada acordar…
O sorriso amanheceu
depois de se espreguiçar,
abriu a janela para o sol entrar,
sacudiu o corpo
e de braços abertos agradeceu
o silêncio que o dia lhe trouxe
e as horas que o tempo tem para lhe dar.
De olhos postos em mim,
vestiu-me o rosto
e ensinou-me a apreciar
a simplicidade de ver o dia a começar,
oferecendo um sorriso
aos sorrisos que irei ou não encontrar…