Não sei se volto…

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Leva-me para dentro do teu abraço
Quero marcar viagem
Em cada estação do teu corpo
Aconchegar-me na tua pele
Acomodar-me no teu regaço
Seguir caminho,
Até encontrar o lugar para abrigar
O amor que transporto.
Quando lá chegar
Já não sei se volto…

Pedaços de mim…

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Pedaços de mim
Caídos em palavras
Por vezes desencontradas
Onde mostro o meu rosto
Com a tinta que escrevo
Embriago o meu corpo
No trago da poesia
Que com o olhar bebo.
Leio-me em cada pedaço
Em cada folha que guardo
Entre outras que desfaço
Em pedaços…

Como sou…

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Por vezes tenho essa vontade
De suspender o tempo
E viver como que distante
Riscar o vai e vem
O engolir constante
Das coisas formatadas
Vividas em vidas aprisionadas
Com as horas ritmadas.

Por vezes tenho essa vontade
De não ser hoje nem amanhã
Calar a razão
Sem a condição de ter que ser
Não me apetece obedecer
À certeza dos certos
Caminho a par com a incerteza
Certa de encontrar a minha leveza.

Por vezes tenho essa vontade
De ir longe ficando por perto
Vestir o rosto de sorriso aberto
Não deixar os dias embrulhados
Ainda que tristes ou amuados
Transporto-os na minha ilusão
E com eles vou
Tal e qual como sou….

Na minha gaveta…

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Em silêncio
Escutei a solidão
O lamurio das palavras
Fechadas na gaveta
Letra após letra
Dispersas na imensidão
Inquietas e com medo
De perder o abrigo
O sentido da imaginação.

Tenho um espaço aberto
Que acolhe sensações
Onde visto de cor as letras
Dou asas às emoções
Esvoaço como borboleta
Embalo-me nas palavras
Que tiro da minha gaveta
Sem medo
Que a poesia me comprometa.

 

Envelhecendo

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Quando o caminho é feito devagar
O dia-a-dia teima em não avançar
Não há pressa de chegar
O destino não é mais que as memórias
Que o tempo foi amadurecendo
E que o olhar vai perdendo
Estamos envelhecendo.

Quando o corpo tomba de cansaço
E a solidão toma conta do espaço
Os sonhos já não saem do regaço
A realidade não é mais que as histórias
Que o tempo ajudou a construir
As lembranças do nosso existir
A serenidade de continuar sem desistir.

Quando o pensamento parece vaguear
E as palavras começam a escassear
Somos monólogos a dialogar
A vida assenta na memória das histórias
Que o tempo a seu tempo foi guardando
Nos afetos que nos vão alimentando
A idade que o corpo vai somando.

Saberás de mim…

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Saberás de mim
A cada acordar
Em que me cubro de silêncio
E deixo o canto dos pássaros
Sobrevoar o meu espaço
Oiço sons de diferentes tons
Deixo-me envolver na melodia
Neste voo de emoções
Até que perco o sentido
Aterro no teu corpo
Num despertar de sensações.

 

Vida

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Piso o chão da tua terra
Com as palavras a flutuar
Aprendi a fiar o tempo
A tecer os gestos para não te magoar.
Todos os dias nasces para o dia
Não há sombra que te faça parar
Indiferente ao caminho
Ao cansaço das horas
Entre as demoras
De nos ver partir e chegar.
És terra
Sinto o pulsar do teu respirar
Derramas vida para lá da vida
Um dia serei pó do teu pó
O chão que outros irão pisar.

Prometo…

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Prometo silenciar
A voz que trago em mim
Adiar as palavras
Atravessar o tempo
Ousar tocar-te com o olhar
Ir no teu horizonte
Para na tua pele repousar.
Deixar-me ir
Com o sol até ao luar
No aconchego encontrar
A linha de um poema
Onde possa escrever
O tanto que tenho
Para te dizer
Prometo…

Será Amor?

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O dia nasce para o dia
Os poemas para a poesia
Num bater de asas
Borboletas coloridas
Germinam vida entre vidas
Na terra que alimenta a terra
No amadurecer da paixão
E no colher de frutos maduros
Entre sorrisos singelos e puros
Que quando se encontram
Incendeiam o olhar
Esvoaçam palavras
Que ao coração vão parar
E deixam na pele
A fragrância dos corpos
O pousar dos gestos
Que nos faz voar.
Será amor?

 

Recomeçar

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Ainda que
O sorriso não apareça
E a vontade esmoreça
Eu sei
O tempo não me dá tempo
Não espera por mim
Mesmo que
Isso me entristeça
Haverá sempre quem se reinvente
E não se lamente.

Ainda que
O olhar se distancie
E o coração não se pronuncie
Eu sei
Estarei sempre a tempo
De escolher o melhor de mim
Agarrar a liberdade
Tecer um novo recomeço
Virar a vida do avesso
Não aceitar viver pela metade.