Palavras… nuas

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Agora
Que a terra rodou
E o verão timidamente chegou,
Mudo apressadamente de direção
Dou às letras diferente inclinação
Enquanto dispo as palavras
Nesta liberdade da imaginação
Para que sintam a leveza
O sorriso da natureza
Que veste a nova estação.

 

Quero ser habitada…

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Fiz de ti
A minha morada
Quero ser habitada…

A casa pode ser recatada
Caiada,
À beira mar plantada
Talvez,
Uma flor à entrada
Uma borboleta pousada
E um bando de passarada!
Uma casa iluminada
Entre sonhos
Debruada…

É para mim
A morada
Onde vou ser amada…

 

Entre o luar…

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Da janela do meu quarto
Vejo a noite já fechada
Talvez um pouco ensonada
Embrulhada na madrugada

Sinto o aroma doce do vento
Que sussurra leve ao relento
Embala a noite no pensamento

O meu olhar embriaga-se na lua
Tímida esconde a sua face nua
No corpo que cresce como míngua

O céu no aconchego do anoitecer
Rouba-me o sono para adormecer
Vejo o sol abrir o amanhecer
Da janela do meu quarto.

Talvez um dia…

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Sinto-me a encolher
No mundo que não para de crescer
O coração transborda do peito
Já não cabe no seu lugar
Bate insatisfeito
Não sabe como amar
Neste tempo que se traduz breve
Onde a vida começa e acaba
Na leveza de um olhar.
Vadio o silêncio
Que guarda este meio jeito
No corpo que se tornou mudo
Para não ser atafulhado com tudo.
Doí-me ter que escolher
Entre a vontade do parecer e do ser
Recolho-me nas palavras
Tantas que ficam por dizer
Talvez um dia
A terra as vá colher…

Campo aberto

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Preciso desse campo aberto
Onde o olhar se deixa ir
Na abundância do tempo
Onde as mãos repousam
Dos socalcos da vida
E o amor fermenta
No intenso aroma
Que o vento traz
E nos corpos se desfaz.

Não tarda rebenta a semente
E o grão armazenado
Pela terra será criado
O céu abre-se de cor
Entre o verde do respirar
E o coração pronto para amar
O fruto encontra poiso
Raiz fértil para se libertar
E mais um ciclo completar.

Queria ser uma estrela!

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A noite reluzia a elegância do manto que lhe movia o corpo, enquanto o silêncio acentuava os passos descomprometidos que pisavam a calçada.
Silhueta vincada pelo mistério que se fazia sentir em cada esquina que dobrava, entre o reduzido feixe de luz e a sombra que a perseguia.
Dada a um movimento de leveza que lhe desnudava ainda maior beleza.
Amante confessa das horas que cobrem os dias e os pintam de uma escura tonalidade, a penumbra. Vivia a noite como mais ninguém a via…
Conhecia de cor os lugares cobertos pelos luares que incendiavam o céu.
Entre rumores dizia-se que apenas o retrato da noite a preenchia e todas as noites o seu sonho se cumpria.

Queria ser uma estrela!

A idade dos dias

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Se ao menos eu soubesse
Viver a idade dos dias
Como quem colhe os aromas
E semeia nas esperas do tempo
Um silêncio que mantivesse
O diálogo da minha voz,
Talvez eu pudesse
Sentir o cair das horas
Na ilusão de as ter só para nós!

Se ao menos eu soubesse
Viver a idade dos dias
Como quem tece a felicidade
E despe da pele a saudade
Num olhar que iluminasse
O que trago dentro de mim,
Talvez eu coubesse
No vagar do passar das horas
E não as deixasse ter fim!

 

Por acaso…

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As palavras apareceram por acaso
Encontramo-nos no mesmo olhar
Sem nada interrogar,
Conversamos sem o tempo contar
Cúmplices na linguagem
Na tranquilidade da viagem
Que nos levou ao mesmo lugar.

As palavras apareceram por acaso
Desafiando as horas do dia
Entramos no mesmo divagar
Despindo no silêncio a ousadia
A linha que conjuga o pensamento
E derrama no corpo o movimento
A vontade de viajar na poesia.