Bem-vindos, 51

Todo o meu corpo é um poema
que clama o meu nome
e sussurra dentro da minha alma.
Todos os silêncios me beijam
e todas as palavras me abraçam.


O dia nasceu para mim e convida-me a festejar…
A olhar para dentro e perceber que celebrar a vida não se trata de acrescentar dias aos anos que temos, mas de acreditar na profundidade com que a vivemos, através da delicadeza das palavras, da força dos afetos, da honestidade dos gestos e da beleza das pequenas coisas.

O tempo deixa muitas marcas. Nem sempre há uma primavera a florescer dentro de nós. Por vezes, sentimos um inverno tempestuoso, mas, mesmo assim, há sementes que vingam e despertam. Quando as nossas raízes são fortes, ajudam a sustentar esse equilíbrio.

Abraço-me inteira e continuo a levar comigo todas as imperfeições que fazem parte de mim…

Hoje é dia de celebrar!
Abro o meu presente e partilho-o com os que caminham a meu lado, com os que já não percorrem o mesmo caminho, mas continuam a habitar o meu coração, e com todos os que vão ficando…

Estou grata e a melhor forma de agradecer é continuar a sentir, a amar, a escrever e a viver com verdade.

Bem-vindos, 51. ❤

Prenderam as emoções

A tristeza saiu sem demora.
Decretado o fim da sua pena,
foi embora.

Estava livre,
mas, mesmo em liberdade,
arrastou o rosto pesado,
cambaleando sem destino,
até se deixar cair
por aí, em qualquer lado…

A cela ficou despida,
comprometida
em receber uma nova reclusa,
talvez menos intrusa.

Quem sabe a alegria,
tantas vezes mal-entendida,
pela ousadia que veste
ou pelo olhar que contagia.

Terá sido condenada
por ousar rir,
ou por viver
onde ninguém a percebia.

Prenderam as emoções.
Alguém compreenderá as razões?