Na memória do meu rosto

Havia na memória do meu rosto
uma seara de trigo
onde o meu cabelo
se entrelaçava,
corria reluzente
entre os raios de sol
que o pintavam de dourado.

Olho-me agora ao espelho
sem apagar a memória do meu rosto.
Vejo fios brancos de linho
plantados
pelos campos que amadureceram
e encontro, na rebeldia de outros tempos,
a serenidade dos meus cabelos
livres e repousados.