Fragmentos

Interrompo os pensamentos
sem saber formatar os sentimentos,
descrevo-me em palavras
umas vezes certas
outras tantas desarticuladas.

Sou como o sorriso que amanhece
tímido,
e no ventre do sol espairece.

Guardo no dia silêncios
de segredos e conversas caladas
e enfeito-me de gestos
que se desprendem do coração
sem serem ensaiados.

São olhares acesos,
fragmentos
de mim…

Serei eu?

Confesso
que hoje perdi
o olhar em algum lugar
fechei o coração à emoção
deixei o medo tomar conta de mim.

Confesso
hoje o meu corpo estremece
o dia para mim não tem cor
nem os beijos sabor.

Confesso
hoje as minhas palavras não voam
nem as ondas do mar ecoam.

Confesso…
serei eu, assim?

…Entre fases…

Com os pés a sentir a terra
sonhava que conversava com a lua
entre a distância do meu olhar
incendiava-se uma claridade nua
crescente,
um brilho que não deixava de brilhar.

E o meu coração sorria
com palavras doces se abria
tantos eram os segredos para lhe contar
encontrava-me na fase da confidência,
quando de repente,
sinto a noite acordar para o dia
e a terra a continuar a sua vivência…

Coordenadas

Se quiseres saber de mim,
no rosto trago a essência,
o corpo veste-se de aparência,
conservo na idade alguma inocência
e dou por mim a viver assim,
na simplicidade de um olhar.

Não muito longe,
num lugar fácil de encontrar,
estarei com o sol ao amanhecer
e irei com ele ver o mar ao entardecer.

Se quiseres saber de mim…

Identidade

Conheço-me
de perto,
tal como sou.

Entrego-me
de coração aberto,
sei o que dou.

Habito
dentro e fora de mim,
traço novos caminhos,
mas sei de onde vim.

Colho na madrugada
essência que se dissolve assim,
entre o silêncio do corpo
e a inocência das palavras,
cúmplices até ao fim.

… Certa ou incerta …

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Estarei incerta ao estar certa
que o mundo ainda nos alberga no seu lugar,
que a noite se deita em gestos brandos
confiante de com o dia se encontrar,
que a primavera se despede com alegria
e o verão se veste de teimosia para chegar.

Estarei certa ao estar incerta
se os abraços ainda nos vão abraçar,
se o dia se levanta sorridente com a vida
satisfeito de ter a noite para repousar,
que a poesia é uma metáfora de viagens
e o corpo ganha asas com o sonho de voar.

… Tranquilidade …

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Hoje o silêncio não pousou em mim.
Ouço o gemido do corpo,
que balbucia sem fim,
receoso de ter sido esquecido.

Sente-se confuso e ferido,
abraçado ainda a uma réstia de esperança
de receber a tua tranquila tranquilidade,
de silenciares os ecos de tristeza
que pesam na minha leveza.

Quero-te dentro de mim,
silenciosamente.
Assim…

 

Simplicidades…

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E o silêncio trouxe
o murmúrio do mar,
o tanto que ele quer segredar
enquanto passa o tempo,
a ir e a voltar,
como se estivesse ainda a despertar.

A manhã nasce neste silêncio,
traz consigo a serenidade,
um respirar de frescura,
o abraço entre os pássaros
que afinam o chilrear,
o sorriso das flores a desabrochar,
o veludo das pétalas
como seda de uma pele prestes a tocar,
a fragrância que envolve o olhar
faminto por um beijo desejar.

Instantes que cobrem de encanto
o corpo acabado de acordar.

Entre o murmúrio do mar
e o silêncio da manhã a acontecer,
visto-me com gestos de simplicidade
Não sei mudar de moldura,
é este o ser do meu ser.