Reflexão

Aprendi a ser
ciente de bem escolher
não sei como nem quando
deixou de fazer sentido
olhar para um rosto de verdade
sentir respeito pelo bem feito
viver a essência e não a aparência.

Não sei…
como nem quando trocaram os verbos
desconheço a conjugação,
por mais tempo que dedique a esta reflexão
não sei como acompanhar os passos
neste caminho estilhaçado em pedaços
onde se atropela a identidade
e a vida se vive pela metade.

Onde mora a verdade?

Onde mora a verdade
tantas vezes vestida de vaidade
de olhos vendados
cercada de vertigens
perdida na traição
de viver pela metade.

Onde mora a verdade
o caminho é feito em liberdade
avesso à mentira
pelo respeito que bate no peito
com vontade de abarcar
vidas onde possa habitar.

Onde mora a verdade?

___Traço Contínuo___

Sou um pouco da estrada
que se alonga sem se perder
que cede caminho se assim o entender
de consciência calada
leve e sossegada,
sem pressa de chegar
ao fim do lugar.

Sou um pouco da estrada
onde um traço contínuo
conduz o tempo de vida
e o caminho se desfaz em nada…

Interrogações

Interrogo-me constantemente
ao ponto de não existirem pontos
nem linhas tecidas em afirmações
apenas interrogações
incertezas.

Tenho, porém, consciência
das emoções presentes
que dão sentido à minha vivência
na certeza de me quererem mostrar
que não passam de contradições…

Partir ou Chegar

Não sei se é tempo de partir ou de chegar
simplesmente acompanho o horizonte,
seguindo os dias.
Hoje subo ao alto da montanha
na tentativa de arrumar os pensamentos,
disfarçadamente o corpo torna-se leve
e a mente parece uma sombra pintada pelo sol.

Crio a ilusão do silêncio ser a única porta
por onde o corpo possa voltar.

Fragmentos

Interrompo os pensamentos
sem saber formatar os sentimentos,
descrevo-me em palavras
umas vezes certas
outras tantas desarticuladas.

Sou como o sorriso que amanhece
tímido,
e no ventre do sol espairece.

Guardo no dia silêncios
de segredos e conversas caladas
e enfeito-me de gestos
que se desprendem do coração
sem serem ensaiados.

São olhares acesos,
fragmentos
de mim…

Serei eu?

Confesso
que hoje perdi
o olhar em algum lugar
fechei o coração à emoção
deixei o medo tomar conta de mim.

Confesso
hoje o meu corpo estremece
o dia para mim não tem cor
nem os beijos sabor.

Confesso
hoje as minhas palavras não voam
nem as ondas do mar ecoam.

Confesso…
serei eu, assim?

…Entre fases…

Com os pés a sentir a terra
sonhava que conversava com a lua
entre a distância do meu olhar
incendiava-se uma claridade nua
crescente,
um brilho que não deixava de brilhar.

E o meu coração sorria
com palavras doces se abria
tantos eram os segredos para lhe contar
encontrava-me na fase da confidência,
quando de repente,
sinto a noite acordar para o dia
e a terra a continuar a sua vivência…