
Hoje sou maresia
porto de abrigo
cais de companhia.
Quero entrar no teu mar,
afogar-me nos teus beijos
mergulhar na tua rota
e deixar-me levar.
Embarquei…

Hoje sou maresia
porto de abrigo
cais de companhia.
Quero entrar no teu mar,
afogar-me nos teus beijos
mergulhar na tua rota
e deixar-me levar.
Embarquei…

Não saberei como te dizer
que o olhar que vês nos meus olhos
são lembranças
que caem aos molhos
no corpo vestido de saudade,
pelo tempo que costurava as horas
ponto a ponto,
sem grandes demoras.
E o olhar respirava a fragrância do dia
até lhe sentir o sabor.
Não sei bem como te dizer…

Acordei vestida pela manhã sem reconhecer a cor que me cobria a pele. Perdida no espaço, com o olhar um pouco entorpecido, procuro aconchego no espelho, que não me parece ter qualquer empatia nem vontade de me mostrar outro rumo.
Ensaio todas as portas, procurando a brisa pura do mar que me é tão familiar.
Abro caminho para tentar avistar a tamanha imensidão azul que me banha o pensamento e me faz arrepiar a alma.
Sinto que não vou a lugar nenhum e esta ausência apenas existe dentro de mim.
Todos os dias o mar amanhece e espalha vida na vida que em nós acontece.
Estarei certa desta dimensão para abrir o meu horizonte em busca de inspiração…

As palavras saem pela noite,
respiram silenciosamente,
como se fossem declamar um poema.
O céu abre-se para as acolher,
as estrelas cintilam em constelação
e a lua cresce ao deixar-se levar pela tentação
de ouvir as conversas que surgem na escuridão.
Sem ninguém saber,
todas as noites as palavras se reúnem,
receosas de perder o conteúdo,
de ficarem vazias e a memória morrer.
Respiram saudosamente
o tempo em que não precisavam de se recolher.

Estarei incerta ao estar certa
que o mundo ainda nos alberga no seu lugar,
que a noite se deita em gestos brandos
confiante de com o dia se encontrar,
que a primavera se despede com alegria
e o verão se veste de teimosia para chegar.
Estarei certa ao estar incerta
se os abraços ainda nos vão abraçar,
se o dia se levanta sorridente com a vida
satisfeito de ter a noite para repousar,
que a poesia é uma metáfora de viagens
e o corpo ganha asas com o sonho de voar.

Toco-te
como se as minhas mãos
fossem o respirar do teu acordar,
alicerces
para a tua vida segurar,
presente mais que perfeito
do verbo amar,
como se fossem paz para o teu olhar…
Silêncios de arrepiar.

Mais um dia que amanhece
vestido com asas.
Tanto aparece como desaparece,
com pressa de chegar
onde a felicidade se deixa apanhar.
Mais um dia que anoitece
despido ao luar.
Tanto adormece como espairece,
com vontade de sonhar
até encontrar um lugar para pousar.

Passo a passo,
o corpo enleou-se no pensamento,
a pele desnudou-se da essência
e, por um breve momento,
ao fechar os olhos,
vejo as palavras caírem
sem firmamento,
ficando apenas a aparência.
…Haverá dias feitos assim…

Hoje o silêncio não pousou em mim.
Ouço o gemido do corpo,
que balbucia sem fim,
receoso de ter sido esquecido.
Sente-se confuso e ferido,
abraçado ainda a uma réstia de esperança
de receber a tua tranquila tranquilidade,
de silenciares os ecos de tristeza
que pesam na minha leveza.
Quero-te dentro de mim,
silenciosamente.
Assim…

Alinhavo o olhar,
traço o sentido do coração,
costuro as linhas do tempo,
debruo, ponto a ponto,
o caminho que escolhemos caminhar.
Dou cor ao respirar,
como se estivesse a entrelaçar,
fio a fio,
o meu amor ao teu.
Assim nascem as palavras,
agarradas aos sonhos
que não deixam a vida parar.