
A alma despiu-se
depois do sol se pôr.
Os sentidos rendidos
ficaram a nu
desprotegidos,
a pele acelera
faz os poros arrepiar
e o corpo ganha vida
pelo toque do teu olhar.

A alma despiu-se
depois do sol se pôr.
Os sentidos rendidos
ficaram a nu
desprotegidos,
a pele acelera
faz os poros arrepiar
e o corpo ganha vida
pelo toque do teu olhar.

A noite roubou-me o dia
o sono perdeu-se no escuro
o meu corpo deambula e fantasia
mostra-se no seu estado mais puro.
O quarto cheira a sonhos acabados de entrar
o coração fecha-se e finge adormecer
as palavras recolhem e param de conversar
o amor penetra na noite até amanhecer.
Ergue-se a madrugada de rosto lavado
a janela abre-se para acolher o sorriso do dia
as insónias vincaram um retrato ensonado
mas o corpo desperta e veste-se de ousadia.
… A noite devolveu-me o dia…

O dia abriu-se à vida,
vestiu-se de sol e de tempo
percorreu, sem pressa,
a esquina que cruza com a rotina,
o lugar onde os passos se exprimem
marcam a vontade de recomeçar
de acolher a vida deste novo despertar.
A vida estende-se ao dia,
de aparência doce e serena
inquilina de constante sabedoria
caminha sob um batimento constante,
carrega a leveza de viver cada instante
com as cores que definem o olhar
com os gestos que mexem cada acordar.

Silenciosamente
procuro a sombra do teu corpo
para deitar o meu,
peço ao sol para alongar a sua estadia
para dar mais horas a este dia
gosto de sentir a tua companhia.

Levei o meu olhar até ao mar
deixei a água entrar na minha pele,
navegar em todas as frestas
e o meu corpo salgar,
como se fosse um manto de espuma
onde o mar se vem enrolar
e mergulhar em mim…
Ao ver a imensidão do mar
o olhar fechou os olhos
pensou na liberdade de voar
de levar no aconchego do regaço
as palavras à deriva no pensamento
entre a voz que silencia o momento
neste mar que habita em mim…

As palavras consomem-me todos os sentidos, até as sílabas rodopiam no corpo deixando marcas difíceis de apagar.
Sinto os passos dos versos que escrevo como se pousassem em cima dos poemas que me alimentam as insónias.
Ouço a vontade de esvaziar o tempo com o silêncio que ocupa os meus silêncios.
Amanheço todos os dias em que soletro o alfabeto que habita no meu coração.
É este momento que completa todos os momentos que verdadeiramente transmitem a emoção das minhas emoções.
Escrevo o que sinto sem saber se já disse alguma palavra hoje…

Hoje trago comigo o cheiro
que o vento colhia
no caminho que percorria,
enquanto portador e mensageiro
do amor que com ele levava e trazia.
O meu corpo vestiu-se da tua ausência,
empurrando o tempo com o olhar
distraindo, deste modo, a aparência
que se mostra vazia e desnudada,
saudosa de contigo querer estar.
Peço ao vento que mude de direção
que te traga de novo para o meu coração…

Os dias vão tombando
uns a seguir aos outros
até caírem no findar
do ano prestes a terminar.
Temos dezembro a festejar
o aconchego da família e do lar
a época do Natal para vivenciar
e os afetos para desembrulhar.
Escasso o tempo que passa
por entre as ruas de multidão
rostos agitados e apressados
correm os dias em plena agitação.
São horas de comprar os presentes
criar laços de luz e de amor
não deixando o coração sofrer pela dor
da saudade pelos que já não estão em redor.
O olhar abraça com brilho a tradição
a importância de dar e receber com gratidão
saborear a felicidade de manter a união
viver de verdade dando tempo a esta estação.
Os dias continuam a tombar
e este ano está prestes a terminar
dando tantos outros dias
ao novo ano que irá começar.
O melhor presente que podemos ter
é sonhar que cada dia seja vivido
com essência e autenticidade de ser
de mãos dadas com o tempo para não o perder.

Persegue-me este meu jeito
que se esconde e se mostra
sorri sem preconceito
respeitando este meu modo de ser
imperfeito, mais que perfeito,
que segue sempre comigo
inteiro,
desde o amanhecer até ao entardecer.
E, no espaço que sobra em mim,
escuto e escrevo silêncios
que me saem do peito
e assim toco na vida,
inspiro a felicidade para dentro de mim
vestida com este meu jeito…

Perdi o olhar a olhar para o mar
de tanto imaginar até onde me poderia levar
quantas marés a minha alma irá vivenciar
quantos luares a minha janela irá encontrar.
Quantos segredos pedi ao mar para guardar
quantas noites adormeci com o seu embalar
tantas vezes sonhei que me vinha buscar
cúmplices na vontade de partir e voltar.
Sinto o olhar a olhar para o mar
satisfeito de tanta beleza contemplar
quantos medos pedi ao mar para afogar
quantas lágrimas enxuguei a ver o mar.