Convite de verão

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Recebi com agrado o convite
Para felicitar a nova estação
Visto-me de palavras
Não tenho vestido novo
Para me apresentar ao verão
Aprumo o pensamento
Para ficar leve e esvoaçante
Pinto o olhar para ficar brilhante
Não quero parecer deselegante.

De mãos livres
Sorrio confiante
Aos olhares agitados
Em rostos curiosos
Colados ao movimento
Dos versos e das rimas
Que embelezam o meu corpo
Vaidosa pela proeza
De poder mostrar tal beleza.

O céu azul mostra um sorriso
O mar envolve-se de improviso
O dia veste-se de cor
O vento espalha calor
Eu trajada de poesia
Todos serenos, mas a rigor
Aguardamos o momento
De ver chegar o verão
Disfrutar da calorosa estação.

Abre portas a tantos odores
Dos frutos maduros
Até à fragrância das flores
A paisagem envolve-se de cores
Explode a paixão dos amores
Envolvidos na emoção da estação
Abraçam o sol e o mar
Entre o amanhecer e o anoitecer
Apuram os sentidos para amar.

Desencontro

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Choro a dor da tua partida
Não sei lidar com a despedida
A sombra que a tua ausência deixa em mim
É difícil aceitar que o amor chegou ao fim.

Leio-te em cada palavra que escrevo
Encontro-te em cada lugar que vou
Recordo com saudade o que nos juntou
Procuro entender o que nos afastou.

Será que não vivemos o mesmo amor?
Será que o tempo não é igual para os dois?
Será que deixamos de brilhar?
O que restará de nós, depois?

Tenho ainda tanto para te dizer
Guardarei no vazio do meu coração
Preciso aconchegar o espaço ferido
Pelo desencontro da nossa união.

Terra Mãe

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Sento-me a teu lado
Terra que me acalma
Respiro o ar que o teu cheiro emana
Envolvo-me nas tuas cores
Deleito-me na profundidade das tuas águas
Que me lavam as dores e as mágoas.
Como é forte a tua semente
Que brota sobre a gente
Num manto de agasalho
Protetora natureza
Como é possível destruírem a tua beleza?

Terra que me acalma
Sinto a leveza do teu amanhecer
Acordo com o silêncio do teu orvalho
Faço-te companhia
Nas noites que teimo
Ver-te adormecer.
Ofereces-me tanto
Que do tanto que tenho
Não te sei agradecer.

Terra que me acalma
Piso a firmeza do teu chão
Sem sentir a dor da compaixão.
No teu vento esvoaçam beijos
Sons tecidos como desejos
Que prendem o céu ao mar
Onde o tempo parece parar.
Embriagada com a tua pureza
Protetora natureza
Quantas vezes te fazem sofrer
No planeta que temos para viver.
Terra Mãe.

Quero ter tempo

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Repouso o pensamento
Como se estivesse a voar
Subo bem alto
Até as estrelas tocar.
Lá em cima não há pressa
Não há horas a passar
Nem conversas a despachar
O tempo passa devagar
Tudo se pode apreciar!

Aterro o pensamento
Num falso acordar
Olho para o tempo
Como se estivesse a sonhar.
Parece que as horas
Entraram em estado de ebulição
Fervo em tanta agitação
Como recuperar o tempo
Será o descanso em vão?

Liberto-me
Fujo e levo o pensamento
Para longe, bem longe
Onde o tempo não me aviste
Quero sonhar, quero aquietar.
Sei lá!
Quero ter tempo
Para simplesmente pensar
Para sobretudo me amar.

Enlace

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Que a essência do nosso olhar
Não deixe de brilhar
Que o bater do coração
Não deixe de acelerar
Que os nossos caminhos
Não deixem de se cruzar.

Que os nossos sentidos não adormeçam
Que o silêncio não nos afaste
Que as nossas promessas não se quebrem
Que os sonhos não se atropelem
Que a nossa cumplicidade não se desgaste.

Que as palavras nos adocem
Que os abraços nos agasalhem
Que a felicidade nos contamine
Que a tranquilidade nos visite
Que o amor nos ilumine.

Fragmento de momentos

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Já vivi momentos que não senti
Já desejei viver o que nunca vivi
Já carreguei sentimentos
Que de tão pesados
Foram descarregados
Em lamentos.
Já senti a sociedade
Prender-me a liberdade
Pelo limite de igualdade
Que colide com a realidade.
Já amei um amor
Com todo o meu fulgor
Depositei nele a minha essência
Que não foi suficiente
Para cobrir a metade ausente.
Já conheci gente
Que ainda hoje reconheço
Que desconheço.
Não uso armas de cobardia
Não sou heroína em hipocrisia
Não sou um muro de lamentações
Das minhas lamentações.
Relato emoções
Eco de reflexões
Fragmento de momentos….

Cumplicidade

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Era um dia igual a tantos outros
Pela frente o caminho
Que tantas vezes percorri
De mãos dadas com a vida
Mas só hoje me apercebi
Da cumplicidade entre as folhas
Que cobrem o chão
E o desabrochar das flores
Que pintam a terra de cores
Numa simbiose de amizade
Onde os ventos espalham
Fragrância de liberdade!

Tal como a natureza
Que se veste de beleza
Também eu me entrego à nudez
De um corpo coberto de sonhos
E comigo levo a leveza
Das escolhas que escolhi
De braços abertos para a vida
Num sopro de simplicidade
Cruzo o olhar com os caminhos
E numa ingénua cumplicidade
Roubo às palavras a ousadia
De ir espalhando poesia!

Entre nós…

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Entre nós
Estou eu e tu
Entre o que nos une
Está a cumplicidade
Entre a luz e a escuridão
Está o caminho
Entre o sonho e a realidade
Está a vida
Entre o desejo e a paixão
Está a imaginação
Entre o longe e o perto
Está a convicção
Entre o ontem e o amanha
Está o presente
Entre o início e o fim
Está a essência
Entre o querer e o ter
Está o ser
Entre eu e tu
Está o que nos faz viver
O Amor.

Uma história colorida

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Resolvi pincelar o dia
Numa história de cor e magia
E aproveitar para vos mostrar
Uma tela da minha autoria.

Entre tintas e pincéis
Procuro a cor da alegria
Talvez o amarelo
Luminoso e pleno de energia.

Desenho papoilas e margaridas
E nelas pinto a tranquilidade
Escolhi o verde como tonalidade
Inspira-me confiança e verdade.

De azul pinto o céu
Com o sol a brilhar
Majestoso mostra o seu véu
E a profundidade do seu olhar.

De vermelho pincelo a força do amor
Aquela que com o seu fervor
Traz vida ao coração da donzela
Retratada suavemente nesta aguarela.

Para vos mostrar tal beldade
De lilás vinco a personalidade
Sobressaindo a sensualidade
E os traços finos de vaidade.

Termino esta pintura
Com várias cores à mistura
Pois só assim identifico
A textura da minha assinatura…

Viagem

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Tão depressa avanço como recuo
Por vezes perco-me no trilho
Até recuperar o sinal de orientação
Aquele que me dita o sentido
E dá voz ao coração.
Tenho o corpo vestido de vida
E enfeitado de sonhos
Faço dos dias uma viagem
Para descobrir quem sou
E para onde vou.
Cada estação é local de paragem
Sacudo o cansaço e respiro o silêncio
Que o olhar absorve de cada paisagem.
Não existe longe
Quando a razão dita a distancia
No brilho de cada amanhecer
E na crescente vontade de viver.
O longe se torna perto
O caminho liberto
No esculpir de cada palavra
Tatuo a minha marca
Não só do meu caminhar
Como da força do amor
Que me faz continuar…