
Nem sempre há luz
mas nem tudo é escuridão
há sempre uma linha
a estender o tempo
a enraizar a vida
e, ainda que o silêncio
soe a solidão,
há sempre um gesto
que nos faz voltar ao caminho
e nos despe a pele da desilusão.

Persegue-me este meu jeito
que se esconde e se mostra
sorri sem preconceito
respeitando este meu modo de ser
imperfeito, mais que perfeito,
que segue sempre comigo
inteiro,
desde o amanhecer até ao entardecer.
E, no espaço que sobra em mim,
escuto e escrevo silêncios
que me saem do peito
e assim toco na vida,
inspiro a felicidade para dentro de mim
vestida com este meu jeito…
Comemorando-se hoje o dia Internacional da Mulher, senti vontade de voltar a partilhar este poema e aproveitar para desejar a todas as mulheres um dia feliz.

Movido pela liberdade,
o amanhecer rodopiou
depressa o sol despertou
e mapeou todos os sentidos
como se fosse um guardião do dia,
iluminou todas as sombras
e deu voz aos olhares que se abrem,
às conversas dos pássaros
à dança das flores
ao acenar das palavras
ao desfolhar de pensamentos
ao voar e pousar
às escolhas de cada caminhar
no dia a dia de cada acordar…
O sorriso amanheceu
depois de se espreguiçar,
abriu a janela para o sol entrar,
sacudiu o corpo
e de braços abertos agradeceu
o silêncio que o dia lhe trouxe
e as horas que o tempo tem para lhe dar.
De olhos postos em mim,
vestiu-me o rosto
e ensinou-me a apreciar
a simplicidade de ver o dia a começar,
oferecendo um sorriso
aos sorrisos que irei ou não encontrar…

Atamos laços
damos abraços
somos presentes
numa casa que se quer cheia
de sorrisos, de improvisos
de amor, de amizade,
lembramos a saudade
como memórias de união
herança das vivências
que guardamos no coração.
Somos vida
a fervilhar entre vidas
nas emoções que desembrulhamos
nos momentos que iluminamos,
quando simplesmente estamos
e nada mais esperamos
senão a partilha da felicidade
sempre que seja Natal,
ou não…