
Solta-se de dentro de mim
a aurora que desperta o dia,
que desamarra os segredos
guardados pela pele,
enquanto dormia.
O rosto pousa silenciosamente
o olhar no espelho
e sacode o retrato,
ainda um pouco desarrumado,
vestindo, apressadamente, o tato
para compor a figura,
não querendo mostrar amargura.
Solta-se de dentro de mim
um pouco de ingenuidade,
um sorriso que toa a verdade
e a voz, até então guardada,
respira, enchendo-se de vaidade.
Solta-se de dentro de mim
um esvaziar de palavras
que se entregam ao dia
e, assim, vivo…