Prenderam as emoções

A tristeza saiu sem demora.
Decretado o fim da sua pena,
foi embora.

Estava livre,
mas, mesmo em liberdade,
arrastou o rosto pesado,
cambaleando sem destino,
até se deixar cair
por aí, em qualquer lado…

A cela ficou despida,
comprometida
em receber uma nova reclusa,
talvez menos intrusa.

Quem sabe a alegria,
tantas vezes mal-entendida,
pela ousadia que veste
ou pelo olhar que contagia.

Terá sido condenada
por ousar rir,
ou por viver
onde ninguém a percebia.

Prenderam as emoções.
Alguém compreenderá as razões?