Silhueta de domingo

Silhueta de domingo
embalada pelo mar,
o meu olhar naufraga
nos teus passos asseados
quando te vejo passar…

Não há sombra no teu caminho,
trazes luz
que se estende ao horizonte
até o sol parece brilhar mais.

Só eu, neste silêncio ondulado
onde permaneço afundado,
querendo um dia ser cais
de todos os teus domingos…

O que será?

Será a madrugada a inocência das noites
ou o ventre onde habita a paixão
e alimenta o pernoitar dos desejos
que se desnudam
na luz clandestina,
onde o amor se prende à vida
e os corpos se libertam
até o dia voltar a nascer?

Será a madrugada,
ou o amor simplesmente a acontecer?

…Esperas…

Esperei de todas as formas que é possível esperar
dias e dias, horas entre horas até o tempo parar
enrolei-me nas noites frias, despida
camuflada nas trevas
dentro do silêncio da vida
no seio dos meus seios
onde a tua voz pernoitava
e o nosso amor se conjugava.

Vejo todas as formas que é possível ver
à espera de saciar as esperas,
sabendo que o tempo não sobra
e não espera por mim.