Campo aberto

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Preciso desse campo aberto
Onde o olhar se deixa ir
Na abundância do tempo
Onde as mãos repousam
Dos socalcos da vida
E o amor fermenta
No intenso aroma
Que o vento traz
E nos corpos se desfaz.

Não tarda rebenta a semente
E o grão armazenado
Pela terra será criado
O céu abre-se de cor
Entre o verde do respirar
E o coração pronto para amar
O fruto encontra poiso
Raiz fértil para se libertar
E mais um ciclo completar.

Berço de aconchego

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Sinto a dor entrar-me na pele
Ao caminhar descalça entre o pó
E a saudade do verde do teu olhar.
Olho as árvores desfolhadas
Tão visível a magreza,
A tristeza,
De terem sido abandonadas.

A terra está carente de semente
De grão
De um sopro de gente
Que lhe estenda a mão
Pedra a pedra
Lhe devolva a calçada
Os sonhos de cada estação.

Meu berço de aconchego
Deixa-me sacudir-te as feridas
Costurar-te as asas
Para que possas de novo voar
Tão longe quanto os pássaros
No rasgar dos dias
Que alegremente vivias.

Terra Mãe

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Sento-me a teu lado
Terra que me acalma
Respiro o ar que o teu cheiro emana
Envolvo-me nas tuas cores
Deleito-me na profundidade das tuas águas
Que me lavam as dores e as mágoas.
Como é forte a tua semente
Que brota sobre a gente
Num manto de agasalho
Protetora natureza
Como é possível destruírem a tua beleza?

Terra que me acalma
Sinto a leveza do teu amanhecer
Acordo com o silêncio do teu orvalho
Faço-te companhia
Nas noites que teimo
Ver-te adormecer.
Ofereces-me tanto
Que do tanto que tenho
Não te sei agradecer.

Terra que me acalma
Piso a firmeza do teu chão
Sem sentir a dor da compaixão.
No teu vento esvoaçam beijos
Sons tecidos como desejos
Que prendem o céu ao mar
Onde o tempo parece parar.
Embriagada com a tua pureza
Protetora natureza
Quantas vezes te fazem sofrer
No planeta que temos para viver.
Terra Mãe.

Uma história colorida

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Resolvi pincelar o dia
Numa história de cor e magia
E aproveitar para vos mostrar
Uma tela da minha autoria.

Entre tintas e pincéis
Procuro a cor da alegria
Talvez o amarelo
Luminoso e pleno de energia.

Desenho papoilas e margaridas
E nelas pinto a tranquilidade
Escolhi o verde como tonalidade
Inspira-me confiança e verdade.

De azul pinto o céu
Com o sol a brilhar
Majestoso mostra o seu véu
E a profundidade do seu olhar.

De vermelho pincelo a força do amor
Aquela que com o seu fervor
Traz vida ao coração da donzela
Retratada suavemente nesta aguarela.

Para vos mostrar tal beldade
De lilás vinco a personalidade
Sobressaindo a sensualidade
E os traços finos de vaidade.

Termino esta pintura
Com várias cores à mistura
Pois só assim identifico
A textura da minha assinatura…

A primavera a chegar

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Suave fragrância
Que emana no ar
O cheiro da terra
As flores a desabrochar
A primavera a chegar!

Vou vestir as palavras
Com pétalas de flores
Aromatizar um poema
Pinta-lo de várias cores
Pedir à brisa que o leve
Faça despertar novos amores.

A primavera está a chegar
A alma despede-se da embriaguez
Da pacatez dos dias de inverno
O sorriso alastra no rosto
O sol acorda bem-disposto
O coração abre-se para amar.

Quero germinar dentro de ti
Flor que cresce e enaltece
Metamorfose de desejos
Entre afagos e beijos
De primavera a mulher
Sou de quem bem me quer.

Discurso do Sol

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O sol mostrou o seu melhor sorriso
Convidou-me a sair do casulo
A libertar os laços da rotina
Soltar o olhar
Soltar o riso
Deixar para trás a neblina.

Estendeu os seus enormes braços
Levou consigo os lamentos
Arejou os pensamentos
Clareou os meus passos
Seguiu comigo
Como um bom amigo.

O sol não deixa de brilhar
Ainda que não seja constante
Não hesita nem um instante
De me visitar e iluminar
Renovando a energia
Que favorece o meu dia.

O sol com o seu discurso
Molda os sentidos
Que por vezes parecem perdidos
Ensina a saber esperar
Sem nunca perder a vontade de brilhar!

Uma nova estação

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Desprendeu-se o manto que cobria o céu
Desarmado pela nudez
As nuvens caem por terra
Fazendo o sol mudar de direção
É anunciada uma nova estação.
O céu sente-se derrotado
Encobre-se e fica acinzentado
Chateado o sol deixa de sorrir e brilhar
Um novo reinado acaba de chegar!
O vento envaidecido
Sopra bem forte e destemido
Num vai e vem de movimentos
Alberga e desperta sentimentos
Tal como o cair das folhas
Uns renovam os sentidos
Outros persistem em ficar perdidos.
Até a chuva que hibernava
Cai gota a gota destilada
Traz o cheiro a terra molhada
Afoga a dor e germina amor.
A vida é uma constante mutação
Haverá sempre luz em cada estação
Quer seja no Inverno ou no verão
Sorri e vive com paixão!

Primavera

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A brisa traz o canto dos pássaros
O cheiro doce do rebentar dos frutos
A frescura do desabrochar das flores
Um passeio repleto de beleza e cores.

O sol nasce mais cedo
Desfolhando um sorriso no teu rosto
Acentua o brilho do teu olhar
Nas noites que passas ao luar.

Tiras o manto da tua alma
Semeias a essência dos sentidos
Danças ao sabor do vento
Espalhas o aroma do teu sentimento.

Entre o entardecer e o anoitecer
Espreita o sol que por vezes se esconde
No rodopio de conversas e alegria
A primavera liberta o poder da poesia.

Plantei uma árvore…

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Plantei uma árvore
Dei-lhe o nome de felicidade
Está no cimo da colina
No alto da liberdade
Onde o céu olha pela terra
E a terra deixa saudade.
As suas folhas são vistosas
Entregues ao movimento
Que vai e vem do vento
E as torna ainda mais sedosas.
Os olhos prendem-se ao sossego
Ao respirar de tranquilidade
Ao conforto do aconchego
À procura da felicidade!

Outono

outono

Caem as folhas
Rodopia o vento
Na magia do movimento
Um tapete de cores
Cai por terra parecendo flores.
Caem as folhas
O céu escurece
O brilho do dia esmorece
As árvores ficam despidas
As esplanadas menos apetecidas.
O verão abandona o seu trono
Eis a chegada do outono!
Traz a chuva e o frio
O tiritar que nos provoca arrepio.
O Cenário é perfeito para partilhar
O conforto quentinho do lar
Ouvir o estalido da lenha a queimar
Enquanto se sente o calor dos corpos a arfar.
Sabe bem um bom vinho degustar
E a tua companhia apreciar.
Caem as folhas…