Sempre guardado em mim

Porque a morte abre uma ausência

Um vazio difícil de sustentar

Cicatrizes que ficam

Amarradas ao corpo

Sem remédio para curar

Só o tempo para remediar

A ferida que parece nunca mais sarar.

O teu espaço será sempre guardado em mim

Ficarei com o teu sorriso ancorado no meu coração

E tu seguirás no meu caminho até ao meu fim.



Para ti

Querido irmão

Esvaziar a saudade

Nestes dias curtos

Que vestem o outono

Todos os espaços parecem vazios

Ausentes

O olhar espelha silêncio

Melancolia,

Eu só quero encontrar um lugar

Quem sabe um rosto

Ou um poema

Onde esvaziar a saudade

E sentir de novo a luz

Das nossas mãos se voltarem a tocar.

… O meu mar …

O mar é meu vizinho

De tantas vezes que o vi

Apenas hoje o senti naufragar

Sozinho,

Perdido à deriva no meu olhar

Procurava refúgio

Alguém com quem desabafar.

Já a brisa o tentava animar

Dar rumo às marés

Iluminando as madrugadas

Como se fosse um farol

Onde os corpos salgados

Se vão abrigar

Das tempestades do mar

De tanto ele amar…

E de repente o outono

E de repente o outono

Retratado no tempo

Nas manhãs despidas pelo vento

Entre as folhas amarelecidas

E na chuva que vem espreitar

Os dias que se deixam encurtar.


E de repente o outono

Um novo tempo a acontecer

Gestos que amadurecem o olhar

Vontade acesa de recriar

A estação que a terra vai vivenciar

E que na pele vem pousar.

Abri a porta…

Ao fechar a porta

Recolhi o olhar

Aprisionei as palavras

Senti a solidão entrar,

Consciente de ferir o coração

E de pôr os pensamentos a hibernar

Sacudo o tempo

Salto para a vida,

Dou liberdade aos dias para voar

Guardo o que é bom de guardar

E ao abrir a porta

Sinto o vento a soprar

Até a alma arejar…

Albergue de emoções

Terra despida

Em raízes envolvida

Sementes que brotam

Desejo fértil de vida

Refúgio,

Terra prometida

Dias que amadurecem

Sombras que florescem

Traços que marcam o rosto

Luz que permanece além do sol-posto,

Terra vivida

Albergue de emoções

Instantes constantes

Renovar de estações…

Dar sentido aos Sentidos

Gosto de te ver

De olhar no teu olhar sarado

Despreocupado,

Sentir as tuas mãos livres

O teu abraço apertado

Aconchegado,

Ouvir em silêncio as tuas palavras

O teu discurso letrado

Enfeitiçado,

Mergulhar no odor da tua pele

No veludo acastanhado

Perfumado,

Trocar os meus beijos pelos teus beijos

Esse sabor frutado

Apaixonado,

Gosto de dar sentido aos sentidos…

Silenciosamente

E de repente o silêncio

O céu despido de asas

O sossego da escuridão

As estrelas que parecem brasas

Ardentes na imensidão.



E neste silêncio

Brindo ao sabor do anoitecer

Com o rosto vestido de luar

Adormeço entre os sonhos

E a luz que me faz despertar.


Silenciosamente

O dia acaba de chegar…