Será fevereiro

E sem mais demoras
entre os dias e as horas
o coração despede-se de janeiro
e já bate à porta fevereiro
que ainda traz a luz acesa de inverno
mas bem mais frágil e terno
que o seu costume habitar.

Pressinto um fevereiro confidente
em todas as frestas há sussurros de paixão
as madrugadas serão lentas
e o amor será o fruto do coração.

Será fevereiro…

Eu e Tu

Corri para ouvir a tua voz
sossegando o coração de tanto palpitar
de braços abertos para te abraçar
senti-te muito antes de estarmos a sós.

Pedi ao tempo que viesse só para nós,
para esvaziarmos o nosso silêncio neste lugar
onde o eu e o tu em nós se irá conjugar.

Desfolhar o mundo

Estendo as minhas mãos
pudesse eu desfolhar o mundo
cruzar o tempo neste caminho profundo
olhar o mar no horizonte sem fundo.

Embalo os meus sonhos
sem me deixar cair no adormecer
a vida ensina-me a ganhar e a perder
soubesse eu sempre acatar este entender.

Entrego palavras à poesia
como se fossem flores a brotar num jardim
o encanto dos poetas é terra que não tem fim
soubesse eu colher o poema certo para mim.

Gotas de orvalho

Suave o olhar que penetra na manhã
e sente a luz do sol a acordar o pensamento.
Caem as últimas gotas de orvalho
sob o ainda adormecido aroma das flores
e assim começa a frescura
que se espalha com o vento
pousando no amanhecer
e perfumando a rotina do dia
dando rasgo à emoção
deste meu viver!

Sentir Janeiro

Embebida na luz que me rodeia
aconchego-me no amor
no presente com que a vida me presenteia
na imensidão de emoções que põe ao meu dispor.

Pousa no meu colo um novo ano
deixo algumas memórias para trás
traço novas marés no oceano
comigo segue a melodia do mar e da paz.

Abro o coração e deixo as palavras entrar
abrigo-me no silêncio saboreando poesia
dou ao olhar liberdade para voar
recebo janeiro semeando um sorriso em cada dia.

No presente dos presentes

E assim desfilaram os meses
neste ano a terminar,
abraçamos o Natal
e damos ao coração motivos para festejar.



Tocam os sinos
erguem-se as palavras
une-se o tempo,
a poesia acontece
entre gestos e reflexão,
no presente dos presentes
na saudade pelos ausentes.

Vivemos o amor
na união pela união,
desembrulhamos o que há de melhor,
saboreamos o ser de cada ser
nesta época especial,
celebramos o Natal.

De lugar em lugar

Quando as palavras não saem
são as lágrimas que caem
só o silêncio me consegue ouvir
e só o coração me pede para não desistir.

Há dias em que o tempo não está para sorrir.
Perco o alcance do que tinha alcançado,
procuro-me para me voltar a encontrar.

…E nesta viagem,
poemas melhores hão de vir.
Acredito que as palavras nem sempre me traem
e o tempo é uma constante.
Liberto-me de lugar em lugar.

O último a chegar

Chegou dezembro
coberto de frio
adivinhando o inverno
no alto do seu ar pomposo
não se sentindo menos majestoso
por ser o último a chegar.

Traz o aconchego do lar
abraça histórias do ano prestes a findar
sem tristeza de ver as folhas caindo
abre espaço para ver a família reunindo.

São dias vestidos de luz e união
dezembro completa-se com muito amor no coração.

…Rodopiando…

Saboreio o brilho do teu olhar
a rodopiar no meu sorriso
a magia que se estende no meu rosto
coberto de ingenuidade
ao entregar-se de improviso.

Enquanto isso, o meu corpo vagueia
entre o retrato de menina e mulher
e tropeça na suavidade das palavras
ditas pelo cruzar do nosso andar.

Gosto de te ver quando me vês
e de sentir a nudez do teu olhar
a penetrar na minha timidez…

…Era uma Vez…

A vida veste-se de palavras
doces ou por vezes amargas.
Frases feitas
que nos vendem por estarem certas
e o corpo absorve letra a letra,
este livro aberto
que ao cair na pele
se vai despindo
e as sílabas são desfeitas
em capítulos que guardamos no coração.

Levados pela razão ou emoção
avançamos página a página
com o prazer de viver
as palavras que se despem
e se entregam à vida…