…Caminho…

Nem sempre me acompanho
por vezes o caminho excede o tamanho,
sinto que o tempo me leva e não me traz,
alimento os sonhos sem saber se sou capaz.

Sentido é o olhar que abre a minha alvorada
silêncio é companheiro na minha jornada,
não temo não ter a certeza de nada,
mas quero ser eu e não viver disfarçada.

E se hoje me sinto desencontrada,
não tarda virá a madrugada.
Amanhã estarei de cara lavada…

Amanhecer com poesia

Dou a mão ao amanhecer
abro a porta para o sol entrar
arrumo o corpo para bem parecer
sigo caminho com a felicidade no olhar.

Levo comigo os poemas acabados de acordar
ajeito as palavras para não as perder
o dia cresce sereno com vontade de se dar
e a poesia solta-se para quem a quiser ler.

A candura das palavras

É com o olhar que se aprende a ler
a doçura do sorriso
a candura das palavras.

É com o olhar que se aprende a ver
a luz que norteia o caminho
o silêncio que conduz o tempo.

É com a vista posta no teu olhar
que derramo os segredos
que com o tempo fui colhendo.

Amor para a vida

Pudesse eu ser asa
para te deixar voar.

Pudesse eu ser casa
para acolher o teu pousar.

Pudesse eu ser uma estrela
para o teu caminho iluminar.

Soubesse eu ser a leveza
para a dureza da vida apagar.

Soubesse eu ser o sol
para fazer o teu dia brilhar.

Pudesse eu ser a pele
para a tua pele agasalhar.

Soubesse eu colher a felicidade
para como presente te dar,
para que saibas
que o meu amor por ti jamais vai acabar.
É semente para uma vida inteira durar.

A vida a florir

O dia amanheceu a florir,
abri as cortinas para o sol entrar
o silêncio da noite foi saindo devagar,
senti os poros da minha pele a brotar.

O corpo acorda e reage ao dia
como se fosse uma flor de um jardim,
talvez um malmequer, um lírio ou jasmim,
absorvo o perfume e guardo-o em mim.

Sigo a raiz que faz os dias florescer,
mas nem sempre entendo o seu crescer,
por vezes, o que é certo faz-me perder
e o acaso dá-me tempo para escolher.

A cada passo,
há um dia a florir, o corpo a reagir
e a vida a fluir…

…Entre aromas…

Recolhi os aromas da minha infância,
semeados na cadência do tempo.
Com eles soltaram-se os sonhos,
os segredos soletrados às estrelas,
a inocência da idade
que voava nas asas do vento.

Cada dia tinha um sabor,
um novo alento,
e as horas pousavam devagar,
livres,
dentro do meu olhar.

Guardo esta cumplicidade
com saudade…

Somos Palavras

Dizem que as palavras não têm tempo,
mas estão em constante movimento,
plenas de intensidade.
Encurtam a distância e medem a verdade,
escutam as conversas,
palavras entre palavras.

Traçam um caminho de cumplicidade,
deixando um rasto na memória,
conjugam-se entre o sonho e a realidade.

Hoje somos palavras,
ditas ou escritas.
Mais adiante somos
palavras recordadas ou apagadas…

…Dar tempo ao dia…

O relógio prendeu-me o corpo,
não acordei com a madrugada.
As horas fizeram a sua própria caminhada,
não serei eu a entregar-te a manhã,
a minha rotina tão desejada.

Amanhã deitarei as horas no meu regaço
para não sofrer tal embaraço.
Quero iluminar o teu amanhecer,
afastar a fadiga das horas,
dar tempo ao dia para o teu viver.

Um mar de Paixão

Ouvi os queixumes do mar,
entristecido.
Já se tinha lamentado à lua,
desabafava sobre a terra
que por vezes amua,
flutua como as marés,
desorientada,
com o olhar longe.

Desgostoso,
o mar encobre-se no nevoeiro,
saudoso de lhe salgar a pele,
navegar no horizonte do seu corpo,
espalhar na brisa o que guarda no coração.

Sente pela terra um mar de paixão.