Neste verão…

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Sinto o cheiro a terra molhada
Os salpicos de chuva que caem no chão
O rodopiar do pó que penetra nos poros
A pele suada pela brisa quente de verão.
Silhueta despida que voa em liberdade
Esvoaçando sem presa, figura ousada
Cruzo o olhar enquanto desço a calçada
Sedenta pela frescura da aragem do mar
Aliada ao tempo, com tempo para apreciar
O melhor que o dia tem para me dar.
Sigo o rumo das gaivotas
De sorriso rasgado pelo vento
A retina enamorada pelo momento
Enquanto gotas perfumadas de intenso sabor
Deslizam sobre o corpo rendido ao calor.
Já sinto o cheiro a maresia
Avisto os corpos a bailar nas ondas
Embebidos em espuma e água salgada
Espelhando o brilho dos bronzeados
Outros plantados na areia cintilante
Entre conversas, jogos e brincadeira
Um pé na água, outro na espreguiçadeira.
Tenho o sol tatuado na pele
O olhar preso no azul do mar
Das mãos soltam-se os sonhos
O coração transborda de paixão
Quero mergulhar contigo neste verão!

 

Não sei o que é a poesia

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Não sei o que é a poesia
Desconheço a matéria que é composta
Linguagem inexplicável que se gosta
Tela viva de sentimentos e melodia.

Fervilhar de emoções em verso
Palavras enfeitiçadas em poemas
Sentidos que se cruzam em temas
Fragmentos espalhados pelo universo.

Não sei o que é a poesia
Será uma fragrância da literatura
Uma viagem sem fim pela cultura
Palavras despidas envoltas de ousadia.

Espantosa a realidade que me chama
Sentidas as palavras que prendem o olhar
No silêncio da alma há poemas a segredar
No coração solta-se a voz para os proclamar.

Vem comigo

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Vem comigo
Na corrente que me arrasta
Ata o teu corpo ao meu
Que ondeia ao sabor da maré
No vai e vem das ondas
Ansioso por se encontrar com o teu.
Já fui de norte a sul
Já mergulhei neste mar azul
Agora estou somente à espera que respondas
Se queres sentir este corpo salpicado de areia
Que procura ancorar antes da lua cheia.
O meu pensamento flutua
Como se num sonho embarcasse
Ao encontro de alguém que me amasse.
Estou à espera de te ver chegar
Guardo em mim muito para te dar.
Vem comigo….

As Palavras

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Como eu saboreio as palavras
Doces, sentidas ou acarinhadas
As amargas são menos apreciadas
Mas nem por isso deixam de ser palavras.

Gosto das palavras arrumadas
Coloridas e bem ritmadas
Gosto de as escrever bem alinhadas
Para não serem esquecidas ou apagadas.

As palavras são como lâminas afiadas
A alma sangra quando mal pronunciadas
Ao contrário ao ouvido segredadas
Alegram o coração ao serem tão desejadas.

Será gente?

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Há gente que vive da gente
Seres com muito pouco ser
Incapazes de traçar uma linha coerente
Julgam-se detentores do poder.

Convincentes da verdade que mentem
Olhar reduzido ao próprio umbigo
Veem nos outros algo que não sentem
Exibem-se como sendo o próprio inimigo.

Espantam os fantasmas lavando o rosto
Afogam na água que escorre pela identidade
Ressaltam os contornos vincados de desgosto
Hibernados na concha que esconde a personalidade.

Acorrentados ao delírio momentâneo do prazer
Saboreiam a cobardia de olhos vendados
Tal é o estilhaçar do espelho pelo falso parecer
Reduzidos ao espaço onde vivem camuflados.

Hoje, amanhã e depois…

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Hoje enquanto espero pelo amanhã
Quero dar asas ao tempo e com ele voar
Hoje não sei quem sou, talvez o tempo me faça lembrar.
Olho em frente e deixo-me ir no tempo presente
Estou na estrada do sonho, deslizando pela corrente.
Quero reinventar os espaços, soltar o eco da minha voz
Mostrar que existo, saborear o tempo que passa por nós.
Seguirei o caminho até ti chegar
Embalada nas palavras que te irei pronunciar.
Quero os meus lábios nos teus tocar
Entregar o meu corpo ao deslizar das tuas mãos
Como quem acosta numa tempestade de paixão
Se preenche lentamente sufocando a respiração.
Quero ser a pétala da tua fragrância
A essência que te envolve os sentidos
Misturar o perfume dos corpos
Absorvidos em gestos destemidos.
Quero pintar o tempo contigo
Hoje, amanhã e depois
Colorir o amor que existe entre nós dois!

Regressa

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Partiste cedo
Ainda o dia dormia
No escuro e sozinho
Escolheste o caminho
Por onde nem gente havia.
Na memória levas os dias
De um sorriso rasgado
O brilho de um olhar enamorado.
O meu retrato ficou mais pobre
A minha alma ainda hoje encobre
O vazio da sombra que me assolou
A tristeza que no meu coração se instalou.
Balbucio palavras na esperança de as ouvires
Abraço o vento para sentir o teu cheiro
Alongo o olhar para ver se te vejo
Afogo as lágrimas na água do ribeiro
Onde outrora namorávamos com desejo.
Todos os dias anseio o teu regresso
Partiste em busca de sabedoria e sucesso
Distante o horizonte onde adormeces
Tamanho o leito onde me deito
Durmo acordada neste quarto desfeito.
Abro a janela para o meu amor esvoaçar
Levar-me nas suas asas até ti chegar
Somos dois corpos em liberdade
Duas vidas unidas até a eternidade.

Encontro

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Não sei que dia é hoje
Perdi-me na contagem das horas
Talvez seja um daqueles que sempre demoras
Enquanto eu espreito pela janela o horizonte
Escuro e vazio, sem nada que se conte
Apenas o tempo, que corre sem pressa
Me faz companhia sem qualquer promessa,
Nem compromisso de um dia voltar
E ainda me encontrar naquela janela a olhar.
Vagueio na sombra deste quarto silencioso
Com o tique taque do coração ansioso
Mais parece um vício que consome
Uma ferida que dói e destrói
Num filme dramático sem herói.
Que busca infindável é esta?
Entre cada partida e chegada
Descobri que não há lugar para mim
Cheguei atrasada, a lotação estava esgotada.
Tanta espera, tanta espera para nada.
Fiquei perdida algumas vezes
Atada ás teias do ser humano
Ecos de um comportamento insano
Transformados em seres por engano.
Ainda haverá tempo para mim?
Corro depressa para reinventar os sentidos
Não espero mais pelos minutos perdidos.
Estou a caminho, saberás de mim
O trilho da felicidade é longo
Hoje sei que não tem fim.

Longa caminhada

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Que longa é a caminhada
Que íngreme o trilho que tracei
Tanto pó no corpo levei
Sem nunca abandonar a estrada.

Como era denso o horizonte
Trémula a minha imagem
De sol a sol recebia coragem
Saciava o cansaço em cada fonte.

No silêncio uma teia confusa
Subtil emaranhado no pensamento
Percorro esta terra sem movimento
Ausente de vida como se fosse reclusa.

Estou prestes a chegar
Já avisto o arco-íris colorido
Outrora cinzento e escondido
Hoje deu lugar ao sol para brilhar.

Já sinto o teu olhar, o som da tua voz
Acordei presa a muitos laços
Tantos como os teus abraços
Festejo a vida, brindemos a nós.

Olha-me

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Olha-me no olhar
Dos meus olhos
Desde a nascente até à foz
Onde as águas se cruzam
Se inundam dentro de nós.
Toca-me com o teu olhar
Como as tuas mãos me tocavam
Quando os corpos se amavam
De prazer calavam a voz.
Diz-me com o teu olhar
O que as palavras não sabem dizer
Em silêncio o coração irá ver
Que nos olhamos e não estamos sós.