Bem-vindo Maio!

Esbelto de aparência
com o rosto de trabalhador
mostra-se maio e a sua essência,
dando luz e cor à tradição
de com giestas se cobrir o lar
e de amarelo se perfumar o coração,
alimentando o olhar com o cantar dos pássaros
e trazendo a alegria da melodia
fazendo de maio uma sinfonia!

…Toca a viver…

Enquanto as horas vagueiam no meu corpo,
já o tempo rasgou os dias
e percorreu o sentido da minha pele,
sobrevivendo a esta fugaz passagem
até entrar na memória do coração
soltando-se uma explosão de silêncio
até se ouvir o tempo a despir:

… uma palavra que ficou por dizer
um sorriso apagado,
a promessa prometida e não cumprida,
o som de uma noite mal dormida,
a vida esquecida de ser vivida
e enquanto as horas passam,
olhamos para a vida já envelhecida…

Viagem do tempo

Nesta viagem do tempo
fugaz e a alta velocidade
o corpo embarca a todo o vapor
sem colher dos dias o sabor.

De paragem em paragem,
sem deixar a pele respirar
tamanho é o ritmo do caminho
que cada olhar segue mudo e sozinho,
levando na bagagem
a saudade de encurtar a distância
e deixar para trás os passos apressados,
os sorrisos fechados,
e devolver aos dias a importância
de viver estação a estação
com um bilhete de felicidade…

Rebento de vida

E com o ar leve e perfumado
assim chega março
confiante e despreocupado.

Traz o aroma da primavera
o cheiro a terra lavrada
rebento de vida que irá ser plantado
amor que brota no pousar dos dias,
março soma afetos e alegrias
soa a poemas, poetas e poesias,
manhãs despertas e tardes vadias
olhar que se estende iluminado
em cada rosto de mulher, ser amado.

Assim se abrem as portas para a tua chegada
que o vento suavize a tua caminhada…

…Sem Palavras…

Hoje vou deixar as palavras sossegar
o que tenho para te dizer
está simplesmente a acontecer…

No dia que anoitece
no céu estrelado que brilha sossegado
na manhã que amanhece
na flor que floresce
no sorriso que simplesmente aparece
ou no olhar acordado
que por ti estremece
e deixa no corpo calado
o desejo de ser amado

Sem palavras…

Serei eu?

Confesso
que hoje perdi
o olhar em algum lugar
fechei o coração à emoção
deixei o medo tomar conta de mim.

Confesso
hoje o meu corpo estremece
o dia para mim não tem cor
nem os beijos sabor.

Confesso
hoje as minhas palavras não voam
nem as ondas do mar ecoam.

Confesso…
serei eu, assim?