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Sobre Fernanda Leal

Retrato-me com simplicidade na forma de ser e de estar, aprecio a autenticidade de cada momento, gosto de ter sonhos e sonhar e saborear a vida de forma singular. Descrevo-me através das palavras e dos versos que partilho com prazer e dedicação.

…Pelo escuro da noite…

Pelo escuro chegam as insónias
descobrem na noite
o sossego para a sua inquietação.

O espaço fica frio e sombrio
rodeado de solidão,
e o meu corpo torna-se abandonado
indefeso,
sem saber lidar com a situação.

Entre voltas e voltas
cubro-me de palavras
certa de que a manhã vai acordar
com o meu corpo a erguer-se devagar
mas provavelmente,
com o nascer de um poema
acabado de imaginar…

Um desfilar perfeito

Chega leve e descontraída
como sempre bem parecida
envolvida no seu jeito
com um desfilar perfeito,
traz na bagagem
o sorriso dos dias
o findar das horas sombrias,
a fragrância das palavras
que esvoaçam do coração
soltas, livres para acolher a nova estação,
com a ousadia de seguir viagem
aceitando a leveza da tua aragem.

…Colher vida…

A manhã acordou cedo
ainda um pouco resfriada
pelo frio trazido pela madrugada
as nuvens fogem do céu
completaram a sua jornada
é hora de o sol aparecer,
a terra precisa de florescer.

É tempo de largar a semente
lavrar o caminho
colher vida
no coração que bate
e chama pela vida da gente.

Onde mora a verdade?

Onde mora a verdade
tantas vezes vestida de vaidade
de olhos vendados
cercada de vertigens
perdida na traição
de viver pela metade.

Onde mora a verdade
o caminho é feito em liberdade
avesso à mentira
pelo respeito que bate no peito
com vontade de abarcar
vidas onde possa habitar.

Onde mora a verdade?

Era para ser…

Era para ser…
Como um jardim em flor
a lua e o seu fulgor
como as estrelas a brilhar
o vento forte a soprar.

Era para ser…
Um rosto vestido de beleza
num andar meigo e com subtileza
um lugar de aconchego
onde os corpos respiram sossego.

Era para ser…
Vida na vida de alguém
com vontade de ir longe e mais além
a tempo e com tempo de se dar
ser casa onde o coração se deixe repousar.

Inverno

É a chuva que escorre pelo inverno
dando aos dias uma solidão molhada,
pousa no rosto um ar frio e sombrio
enquanto o corpo procura uma vida agasalhada,
uma luz acesa e iluminada
onde os sonhos não deixem de crepitar
e o amor continue a habitar.

…Ainda que o inverno esteja para ficar…

Feliz Natal!

Aninha-se o amor no mesmo teto
abre-se a porta à família e ao afeto
há uma luz que liga as emoções
em redor de uma mesa cheia
estão as histórias que aquecem os corações.

É tempo de tranquilizar o tempo
de desembrulhar a vida como presente
deixar as palavras brilhar
dar aos sonhos espaço para esvoaçar
olhar para o amor com vontade de amar.

Que as palavras esvoacem
e o mundo inteiro abracem…

A todos um Feliz Natal!

Entre o tempo e a saudade…

Miriam Costa's avatarMasticadoresBrasil Editor: Miriam Costa & Hang Ferrero

Por: Fernanda Leal
https://wordpress.com/home/essenciadapoesia.wordpress.com

Foto por Markus Spiske em Pexels.com

E o tempo passa aceleradamente
E a saudade fica lentamente
Entre o vazio e a dor que ainda vence
Nada preenche o espaço que te pertence.

Somos feitos de vida para a vida
Remendo os dias para saciar a tua partida
Tantas vezes o corpo é uma colorida fachada
De uma sombria tristeza albergada.

Não há palavras que curem uma despedida
Há momentos que cicatrizam a ferida
A raiz do nosso amor não deixará de crescer
Para mim o teu sorriso jamais irá falecer!

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Num fechar de tempo…

Há dias em que as palavras não saem
fecham-se dentro de mim,
o silêncio atravessa as paredes da casa
e aloja-se no coração,
soa um vazio estranho
uma espécie de solidão.

Talvez por ser outono
o corpo se agasalhe da chuva e do frio
e entre em estado de hibernação
neste fechar de tempo,
onde as palavras e as horas me traem.

As folhas vagueiam soltas
despidas,
e os poemas ficam ao abandono
talvez por ser outono…