Carta à Primavera

Querida Primavera,

Queria que soubesses
que o inverno já se recolheu
e os dias trocaram de cor
até as horas se despiram do frio
e o ar emana uma nova fragrância.

Sentimos a beleza da tua elegância
e neste despertar de sentidos
rendidos estamos à tua espera
minha doce e alegre Primavera.

Sente-te abraçada
nesta tua chegada.

E de repente o outono

E de repente o outono
retratado no tempo
nas manhãs despidas pelo vento
entre as folhas amarelecidas
e na chuva que vem espreitar
os dias que se deixam encurtar.

E de repente o outono
um novo tempo a acontecer
gestos que amadurecem o olhar
vontade acesa de recriar
a estação que a terra vai vivenciar
e que na pele vem pousar.

A ceifa

O dia amadurece
como sendo um fruto,
um rosto que envelhece,
semente deitada à terra,
colheita que a terra nos oferece.

As horas rodeiam a vida
e a natureza não fica esquecida.
Abre mão à ceifa,
que leva consigo o verão
e, num sopro, traz o vento,
debulhando o grão da nova estação.

Entre as folhas caídas
e as árvores que ficarão despidas,
o olhar permanece
atento ao desnudar
que no outono acontece…

Vem, Primavera…

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Vem, Primavera
traz contigo a liberdade
a poesia e a saudade,
não deixes nunca de sonhar
ainda que o sol esteja a adiar
a sua estadia, não deve tardar.

Vem, Primavera
quero sentir o teu colo em meu redor,
colher os teus poemas de amor
voar de céu em céu com os pássaros no olhar,
ouvir o que o tempo tem para contar
deixar as tuas cores a minha vida pintar.

Vem, Primavera!

Talvez o outono…

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Se o outono soubesse
que o meu coração entristece,
tal como o dia escurece
e que o meu corpo rodopia
tal como o vento assobia,
talvez o outono quisesse
levar-me como uma folha
num voo que só ele conhece.

Se o outono soubesse
que a minha alma engrandece
sempre que o sol aparece,
e que a minha pele floresce
tal como a vida cresce,
talvez o outono pudesse
despir o olhar que esmorece
reavivar a memória que envelhece.

Entrego-me ao outono
como se ele soubesse
de mim… Talvez

Primavera!

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Agora que a primavera chegou
E o inverno já se sente recolhido
O corpo inverte o sentido
Rumo à nova estação
Onde o coração se veste de cor
E a pele floresce
Como se fosse uma flor.

Agora que o inverno acabou
E a primavera já se instalou
O olhar despe-se do frio
Abriga-se na beleza
No toque do perfume verdejante
Que o oficio da natureza
Espalha numa simbiose radiante.

Uma doce leveza se plantou
Dentro de mim
O amor despertou
Agora que a primavera chegou…

E de repente…

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E de repente,
Oiço passos que estremecem
Nas ruas frias e molhadas
Folhas e folhas amarelecem
Pela chuva e pelo vento são levadas
Arrastadas pela melancolia
Que o inverno traz ao dia.

E de repente,
Sinto os dias a escurecer
As árvores despidas a tremer
O correr dos passos que arrefecem
Entre as conversas que aquecem
O crepitar da multidão
Que embrulha a pele na nova estação.

De repente
Leve ou levemente,
Teremos o inverno presente…

O outono dos dias

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Espalho folhas
Levemente desenhadas
Douradas,
Para cobrir a pele das árvores
Caladas,
Sem movimento
Entregues ao desalento
Ao outono dos dias
Que vincam o tempo
E marcam a quietude
Dos gestos que ecoam
O silêncio das ruas.
Tento criar a ilusão
De vestir a estação
Espalho folhas pintadas
Outras nuas,
Onde escrevo histórias
E entrego-as ao outono
Como sendo suas…

Palavras… nuas

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Agora
Que a terra rodou
E o verão timidamente chegou,
Mudo apressadamente de direção
Dou às letras diferente inclinação
Enquanto dispo as palavras
Nesta liberdade da imaginação
Para que sintam a leveza
O sorriso da natureza
Que veste a nova estação.